AS RAZÕES DA CRISE NA EUROPA. ANÁLISE DO CONTEXTO GLOBAL E DAS RESPOSTAS POSSÍVEIS À DRAMÁTICA SITUAÇÃO ACTUAL – 1. GRANDIOSA MANIFESTAÇÃO EM ROMA CONTRA A DESREGULAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO – 1-C. MATTEO RENZI INFLEXÍVEL SOBRE A SUA REFORMA DO MERCADO DE TRABALHO, por ERIC JOZSEF.

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Selecção, tradução, nota introdutória e organização por Júlio Marques Mota, a partir de estatísticas oficiais

mapa itália1-C. Matteo Renzi inflexível sobre a sua reforma do mercado de trabalho

“Eu não recuarei nem um centímetro que seja .” Apesar das críticas da ala esquerda do seu próprio campo político e de algumas ameaças de greve geral de certos sindicatos, Matteo Renzi permanece firme nas suas botas: o jovem Presidente democrata do Conselho Italiano, que divide exclusivamente a cena política entre “renovadores” e “conservadores”, tem a intenção firme de avançar com a sua reforma do mercado de trabalho chamado “Jobs act”. Num país que tem quase um jovem por cada dois na situação de desempregado e sob a pressão dos seus parceiros europeus, em particular da Alemanha, Matteo Renzi quer introduzir uma maior flexibilidade no mercado de trabalho. Ao permitir que as empresas possam despedir mais facilmente. Em troca, Matteo Renzi promete proteger um pouco  mais os funcionários contratados na situação de contratos precários e promete igualmente reforçar os amortecedores sociais e os subsídios de desemprego.

Excepto que a sua vontade de abolir em grande parte o artigo 18 do código do trabalho suscita um levantar de protestos por parte da velha guarda do partido democrático (PD) e da CGIL, a principal Confederação Sindical do país. A defesa desta norma, que protege os trabalhadores com contrato a tempo indeterminado contra os despedimentos abusivos e prevê a sua reintegração em caso de prejuízo comprovado, tornou-se um casus belli com elevado valor simbólico. Há dez anos, Silvio Berlusconi já queria suprimir este artigo: teve que voltar atrás devido à mobilização de vários milhões de pessoas. Para a Secretária da CGIL, Susanna Camusso, Renzi conduziu uma política anti-social e faz uma política de puro e duro ‘thatcherismo’. “Onde é que esteve durante todos estes anos, quando a maior injustiça na Itália crescia, entre aqueles que têm trabalho e aqueles que o não têm, entre aqueles que têm um contrato permanente ou aqueles que têm empregos precários? ” replicou o primeiro-ministro.

Na semana passada, Renzi ganhou o primeiro round desta luta. A sua reforma do mercado de trabalho foi amplamente aprovada pela direção do PD. Mas a ala esquerda, para quem a supressão do artigo 18 não pode ser uma prioridade, especialmente em tempos de recessão, não desarma. Sem o seu apoio, Renzi poderia não dispor de uma maioria no Parlamento. A menos que as tropas de Berlusconi, favoráveis à reforma, o venham auxiliar. Entretanto, o jovem líder do Conselho lança dúvidas sobre a hipótese de um regresso às eleições em caso de impasse.

Eric JOZSEF

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Ver o original em:

http://www.liberation.fr/economie/2014/10/07/matteo-renzi-inflexible-sur-sa-reforme-du-travail_1117000

 

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