Ontem, em Santarém, num jantar de Natal onde se reuniram cerca de cinco centenas de militantes do PSD, Passos Coelho discursou, começando por “assinalar as boas razões que farão recordar o ano de 2014″, […] apesar de todas as dúvidas e adversidades”. Afirmou depois que o seu Governo está a “libertar e democratizar” a economia, antes “aprisionada por grupos económicos”,concluindo que «os donos do país estão a desaparecer. Os donos do país são os portugueses […] livres dos donos que durante tantos anos aprisionaram a economia”.
Sabendo-se que as grandes empresas têm vindo a ser progressivamente invadidas por capital estrangeiro e que o capital estatal tem vindo a ser comprado por grupos estrangeiros, como nos lembrou Carlos de Matos Gomes num dos seus “Biscates” (cuja leitura ou releitura se recomenda) –
https://aviagemdosargonautas.net/wp-content/uploads/2014/07/biscates3.jpg?w=710&h=461
– o discurso de Passos Coelho, não sendo fruto de uma libação exagerada, só pode ser considerado como uma tentativa de mistificar uma opinião pública facilmente manipulável. Os donos do país estarão a mudar – além de grandes grupos internacionais, haverá nomes diferentes na lista dos detentores do capital social das principais empresas. Mas afirmar-se que o povo português é o dono da sua economia, ultrapassa em falta de pudor tudo o que podíamos imaginar. A arrogância comum aos elementos deste lamentável executivo, assume no desplante do seu líder contornos de um profundo desprezo pela verdade.
E pela inteligência do eleitorado.
