Passos/Portas/Pires de Lima estão decididos. A TAP tem que ser privatizada. Claro que todos que a ela se opõem têm de ser calados ou afastados. Os trabalhadores entram em greve por causa da privatização. A resposta é a requisição civil em cima dos trabalhadores. O Natal serve de justificação.
Qualquer pessoa minimamente informada vê que a privatização da TAP vai, muito provavelmente, conduzir à sua extinção. O comprador vai ser quase de certeza alguém que já tem interesses na aviação comercial, e, logicamente, quererá adaptá-la aos seus interesses, em detrimento dos interesses de Portugal. Dificilmente se manterão, por exemplo, pelo menos ao mesmo nível, os serviços que a companhia presta em relação às ligações com os Açores e a Madeira, ou com os países de expressão portuguesa. E a sua sobrevivência dependerá de factores alheados aos interesses nacionais. A não ser que o estado português dê ao futuro proprietário compensações leoninas para assegurar uns serviços mínimos.
O caso da PT tem sido usado por alguns como justificação para a privatização da TAP, na medida em que constituiria um antecedente. Que a privatização da PT foi uma asneira enorme, só não o admitem abertamente, hoje em dia, os ideólogos das virtudes das privatizações. A PT actualmente está em mãos estrangeiras, como muitos outros interesses do país, e o seu futuro é cada vez mais incerto. Mas o problema da TAP é muito mais complicado, na medida em que o transporte aéreo requer e é susceptível de um tratamento muito diferente das comunicações telefónicas, telegráficas ou informáticas. Se a PT hoje em dia ainda opera em Portugal, manter as ligações da TAP (qual será o seu futuro nome?) a Portugal e aos interesses portugueses vai ser muito mais difícil. Os portugueses emigrados, os turistas que costumam vir cá passar as festas, vão sentir isso. Tal como os hotéis, os restaurantes e todo o sector do turismo. E sobretudo as famílias dos emigrantes e dos desempregados.


Nem tem comentário esta barbaridade!
Ainda ninguém disse que o Pessoal da TAP – e muito bem – está a fazer aquilo que competia às Forças Armadas. Os património nacionais defendem-se e se for necessário de armas na mão. Se isso não pode pedir-se que seja feito por quem trabalha na TAP, o mesmo já não pode dizer-se dos que têm poderes especiais. Um País a ser delapidado perante a passividade de quem jurou querer defendê-lo.CLV