EDITORIAL – Nem Roma nem Meca

logo editorialNa Europa, no preocupante aumento de atitudes agressivas contra imigrantes existe uma componente que não deve ser esquecida – o papel dos axiomas do politicamente correcto que, longe de pacificar, agravam tensões e espalham confusão num quadro que devia ter contornos nítidos. Culpabilizar apenas as populações de acolhimento, não é o melhor caminho para a pacificação e fornece aos movimentos de extrema-direita um campo fértil de propagação das suas teses.

As comunidades de acolhimento têm os seus hábitos e costumes e são os imigrantes que devem aceitar essas regras (ou escolher outro destino). As tradições que os imigrantes transportam são enriquecedoras da comunidade que os acolhe caso não colidam com princípios essenciais. A Suíça é um exemplo extremo de exigência para os imigrantes – as leis do país têm de ser rigorosamente cumpridas – o não cumprimento acarreta a expulsão. Não ouvimos ainda acusar as autoridades helvéticas de comportamento nazi – o politicamente correcto não se aplica por ali.

Sabe-se como o espírito europeu é elitista. Mas não se pode aceitar que os imigrantes imponham as suas crenças religiosas, as suas tradições… têm o direito de praticar a sua fé, os seus hábitos, as suas tradições, no seio das comunidades. Os hóspedes quererem ditar leis aos anfitriões é uma aberração que dá razão aparente a quem odeia o que é diferente, como é o caso dos nazi-fascistas de organizações como a dos Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente  a tal – Pegida recentemente criada na Alemanha. Islamização que segundo estes energúmenos chefiados por um marginal está «ameaçando a civilização europeia cristã». Se a civilização europeia é defendida por skinheads e se os valores que a constituem são os que a Pegida defende, então nem merece a pena resistir. Mas substituir a máfia vaticana pela retrógrada cleresia islâmica não significaria nenhum progresso. Roma tem de ser combatida pelos católicos, restaurada ou enterrada.

Substituir Roma por Meca, não faz sentido. Basta de cruzadas, salvadores e redentores, basta de superstições. De embrutecimento religioso, a Humanidade já tem a sua conta. Animais ditos racionais, temos deixado que a irracionalidade nos domine. Para quando a idade da razão?

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