EDITORIAL – Alberto João Jardim, candidato a Belém?

 

Imagem2Numa verdadeira democracia, o PSD não teria lugar, pois foi constituído com base em gente oriunda do partido único do salazarismo; numa verdadeira democracia, Aníbal Cavaca Silva não teria podido chegar ao topo da magistratura nacional, pelo menos sem que se esclarecesse se, sim ou não, foi colaborador da PIDE; numa democracia que tivesse respeito por si mesma, Alberto João Jardim, vindo também do partido salazarista e fazendo gala no seu desprezo pelas instituições democráticas, não teria podido desempenhar o lugar de presidente de uma Região Autónoma durante quse quatro décadas.

Houve casos, como os de Adriano Moreira, Veiga Simão, José Hermano Saraiva, em que o passado foi compensado, quer pela qualidade intelectual, intrínseca, desses indivíduos, quer pelo seu comportamento respeitador das novas instituições. Alberto João Jardim não cabe nesta categoria de salazaristas reciclados – Alberto João Jardim não tem respeito por nada – nem pela democracia, nem pelo País, nem pelo seu partido, nem por si mesmo. Se a classe política tivesse vergonha, envergonharia a classe política.

Alberto João Jardim envergonha a espécie humana.

Pois é este ser desbocado e boçal que se propõe  ser candidato às próximas eleições presidenciais. “Vou a jogo para apresentar ideias para o país, mas sem qualquer ambição de ser Presidente da República”, afirmou há cerca de duas semanas no programa “Grande Entrevista”, da RTP Informação. O cacique madeirense referiu que este cenário se colocaria apenas no caso de conseguir “reunir as assinaturas” necessárias para formalizar a candidatura, comentando que “só candidatos da partidocracia é que ganham eleições e conseguem reunir os meios financeiros para a campanha”.

É uma verdade. Mas também só a partidocracia explica a contradição de alguém que exprime a sua posição de divergência por expressões tais como «quero que se f. a Assembleia da República!», se prepare para assumir o cargo de deputado e ameace candidatar-se à cadeira presidencial, sem que isso provoque indignação e sem que accione mecanismos de defesa do regime democrático. Mecanismos que, pelos vistos, não existem. Indignação, cuja ausência espelha a falta de auto-estima no próprio sistema.

Pobre democracia! Pobre República!

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