Tiraram-lhe as cuecas e substituíram-nas por boxers; Despiram-lhe a camisa 100% poliéster e enfiaram-lhe outra com 30% de algodão, às risquinhas azuis-e-brancas; Envergaram-lhe um fato, cinzento escuro, e colocaram-lhe uma gravata, verde ou vermelha, em “pura seda” made in China.
E ele, assim, nestes preparos, passou a ser um tipo da classe média. Baixa ou alta, alta ou baixa, mas da classe média. O média passou a frequentar os bancos das universidades privadas, que passaram a comercializar cursos à “la carte”, ou seja, à medida da sua classe.
Baixa ou alta, alta ou baixa, mas da classe média.
Depois, bem depois, deram-lhe crédito.
Crédito para comprar casa:
Não arrende, compre” lembram-se senhores da classe média?
Baixa ou alta, alta ou baixa. E dinheiro de plástico para queimar:
“Viaje agora e pague depois”;
“Goze férias no Caribe” e testemunhe como os cubanos são pobrezinhos.
E a classe média, baixa ou alta, alta ou baixa, fez-lhes a vontade.
Casou em quintas e fez luas-de-mel em paraísos tropicais.
Rebaptizou-se e passou a usar o penduricalho de “dr” e “engº” antes do nome.
Preferiu sempre o parecer ao ser!
Prefere sempre!

