Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
(Um assalto de 1.100 mil milhões de euros) QE: como o BCE se está nas tintas para o mundo
Olivier Berruyer, [Hold-Up à 1 100 000 millions d’€] QE: comment la BCE se moque du monde !
Les-Crises.fr, 23 de Janeiro de 2015
Eu reajo rapidamente a este novo escândalo bancário
Como a imprensa frequentemente escreveu besteiras, reenvio os leitores para o comunicado de imprensa do BCE (em inglês, obviamente tendo em conta que há apenas só uma página –compreenda-se…)
“With regard to the sharing of hypothetical losses, the Governing Council decided that purchases of securities of European institutions (which will be 12% of the additional asset purchases, and which will be purchased by NCBs) will be subject to loss sharing. The rest of the NCBs’ additional asset purchases will not be subject to loss sharing. The ECB will hold 8% of the additional asset purchases. This implies that 20% of the additional asset purchases will be subject to a regime of risk sharing.”
Que vai fazer o BCE?
Mario Draghi anunciou um programa de resgate de activos de 60 mil milhões de euros por mês desde Março de 2015 até ao fim de Setembro de 2016 , ou seja um QE de mais de 1.100 mil milhões de euros no total.
As compras de obrigações soberanas serão realizadas em proporção da repartição do capital do BCE, ou seja, um montante reduzido será consagrado ao resgate das dívidas dos mais pequenos países como a Grécia. As compras ou recompras, melhor dizendo, referir-se-ão às obrigações dos Estados-Membros da zona euro e das Instituições europeias.
(Isto faz uma bagatela máxima de de 220 Md€ para a França – ou seja, quase 4 anos de impostos sobre os rendimentos !!!)
O BCE comprará obrigações de 2 a 30 anos
As taxas das obrigações a dez anos são as mais frequentemente citadas mas as intervenções do BCE poderão incidir sobre todas as maturidades: tanto sobre dívidas a dois anos como sobre dívidas a trinta anos.
Para não desestabilizar os mercados, é indicado que o BCE só comprará sobre o mercado secundário até ao limite máximo de 25% do montante de cada emissão obrigacionista dos diferentes Estados, e apenas até ao limite de 33% da dívida total de cada emissor…
Os riscos serão partilhados apenas sobre 20% dos títulos comprados
No âmbito do vasto programa de compras de activos lançado na quinta-feira pelo BCE, somente 20% dos títulos comprados serão susceptíveis de provocar perdas assumidas colectivamente pelo conjunto dos Estados da zona euro, anunciou Mario Draghi.
“20% das compras de activos suplementares serão submetidos a um regime de partilha dos riscos”, explicado Draghi, limitando assim o grau de solidariedade entre contribuintes europeus aquando das futuras compras maciças de dívida pública e privada, que devem começar a partir de Março próximo.
Notar-se-á que mesmo o jornal financeiro Les Echos não compreendeu nada:
Outro ponto importante, 80 % do risco será suportado pelo próprio BCE, o risco sobre os restantes 20% será partilhado pelos bancos centrais dos países da zona euro, limitando assim o grau de solidariedade entre os contribuintes europeus aquando de futuras compras. Estas compras serão realizadas sobre a base da participação dos bancos centrais nacionais no capital do BCE
(falando por baixo, fala-se em 600 Mil milhões de solidariedade em + ou em -)
Portanto, os restantes jornais compreenderam o que quis dizer o BCE, é claro:
“With regard to the sharing of hypothetical losses, the Governing Council decided that purchases of securities of European institutions (which will be 12% of the additional asset purchases, and which will be purchased by NCBs) will be subject to loss sharing. The rest of the NCBs’ additional asset purchases will not be subject to loss sharing. The ECB will hold 8% of the additional asset purchases. This implies that 20% of the additional asset purchases will be subject to a regime of risk sharing.”
Assim, estes 20% repartem-se em 12% de compras relativamente a obrigações das instituições europeias (logo, à priori, das instituições tipo MEE servindo a tapar os buracos precedentes) e em 8% de compras directamente pelo BCE.
. Os 80% restantes são comprados directamente pelos bancos centrais de cada país, SEM NENHUMA SOLIDARIEDADE europeia!
E por conseguinte isto significa que é cada banco central nacional que vai comprar de novo as obrigações do seu próprio governo sobre o mercado secundário…
É uma verdadeira inovação (e confesso mesmo não ver como é ela juridicamente possível): até agora, o Eurosistema (= todos os bancos centrais nacionais) eram 100% solidários…
Daí este comentário incrível:




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