(UM ASSALTO DE 1.100 MIL MILHÕES DE EUROS) QE: COMO O BCE SE ESTÁ NAS TINTAS PARA O MUNDO – por OLIVIER BERRUYER – II

Falareconomia1 Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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(Um assalto de 1.100 mil milhões de euros) QE: como o BCE se está nas tintas para o mundo

Olivier Berruyer, [Hold-Up à 1 100 000 millions d’€] QE: comment la BCE se moque du monde !

Les-Crises.fr, 23 de Janeiro de 2015

(continuação)

O quê ?

Bom, em resumo : o  BCE vai fazer funcionar as suas rotativas a imprimir moeda  ( chama-se a isso  QE para que as pessoas não compreendam ) para comprar dívidas públicas aqueles que outros já as compraram.

E isto serve para quê ?

  1. Oficialmente, “ é para funcionar contra a deflação rampante ” – e consequentemente para afazer aumentar os preços.

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De facto, foi exactamente o que se passou nos Estados Unidos, os precursores desta política dita QE:

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Ah não, nada disso – Caramba, está errado …

P.S. assinalo que não é porque isso  parece funcionar bem no início que há uma relação – podemos divertir a dizer seja o que for relativamente a tais gráficos , pondo quaisquer dados. Em contrapartida, é um excelente meio “para provar negativamente” que não há nenhuma relação, quando vê-se uma tão grande  divergência  como aqui…

Porque é que a QE não funciona?

É verdade, que em termos gerais, no passado, quando se fazia  funcionar a a rotativa a imprimir notas  que isso gerava  inflação. Mas não isto.

É ligado ao facto que agora se tem uma  enorme economia financeira, acima da economia real, que modifica  os fluxos financeiros.

Hein?

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Mas, na verdade,  o princípio é sempre verdadeiro, simplesmente tem-se uma má definição.

Porque se chama inflação “a evolução dos preços ao consumo”, por conseguinte sobre o que se  compra todos os dias.

E não se conta no índice destes preços com a evolução dos activos financeiros : acções, obrigações, imobiliário

Repare-se bem, dizem-nos até à exaustão que o BCE venceu a inflação desde há 20 anos (por conseguinte “a significar, acrescentemos,  que os preços aumentaram pouco”), mas se comprar um bem imobiliário neste período, apercebemo-nos  normalmente que havia alguma coisas que não batia bem na nossa definição de inflação… E ter-se-ia preferido sem dúvida o pão um pouco mais caro e o imobiliário ao preço de 1995…

É um pouco como se disséssemos que actualmente se  tem  uma deflação cataclísmica – 50% – precisando-se  que, naturalmente, se chama “inflação” somente à  evolução dos únicos preços do petróleo…

E com efeito, na economia financeirizada actual, as acções do banco central têm efectivamente tendência a criar inflação – mas uma inflação nos activos. Pessoalmente analisámos isto a propósito dos activos para a Suíça, há dois anos  ( o que foi feito  a partir das suas magníficas séries históricas):

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E quando se vêem as cotações actuais  das acções (recordes históricos – o que significa um verdadeiro delírio tendo em conta o contexto económico!!), das obrigações, do imobiliário, das taxas de juro,  vê-se efectivamente que há um forte efeito inflacionista – mas dos activos.

(continua)

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 Para ler a Parte I deste trabalho de Olivier Berruyer, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

(UM ASSALTO DE 1.100 MIL MILHÕES DE EUROS) QE: COMO O BCE SE ESTÁ NAS TINTAS PARA O MUNDO – por OLIVIER BERRUYER – I

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