
Car@s associad@s
É com profundo pesar que informamos o falecimento do nosso associado coronel da Força Aérea António Ribeiro Pedroso de Lima, cujo corpo se encontra para ser velado na igreja da Força Aérea (São Domingos de Benfica), a partir das 18h00 de hoje, tendo lugar amanhã, dia 31 missa de corpo presente às 13h00, saindo o funeral para o cemitério de Barcarena às 14h30.
Considerando que a melhor maneira de o caracterizar e homenagear é a publicação de um texto da autoria do seu amigo, secretário da Direcção da A25A, Nuno Santos Silva (que segue abaixo), associando-nos às fraternais e solidárias condolências apresentadas à sua família.
Cordiais saudações
Vasco Lourenço
Falar de alguém que fez parte integrante do nosso caminho pela vida em tom de despedida é difícil e penoso. Chegados aqui contam-se já por muitos os episódios de despedida de companheiros com quem partilhámos tristezas, alegrias, expectativas e também momentos de desânimo e de muito desapontamento ao assistir ao projecto de um país que tendo saído de Abril se confronta, com um futuro incerto. Mal cuidado, pouco amado, vendido até.
Conheci o Pedroso Lima em Angola em 1971. Destacava-se por ser de uma integridade notável, de uma enorme competência mas, sobretudo, por uma atitude de rebeldia e capacidade de afrontamento que o tornavam verdadeiramente exemplar e com muitas, muitas histórias para contar.
Em 1973, como capitão, reunimo-nos de novo na Direcção do Serviço de Material da Força Aérea onde presidia ao conselho administrativo. Estavam então na ordem do dia as reivindicações que nos haviam de conduzir ao 25 de Abril e, na altura, o Major Pedroso Lima demostrou-se imediatamente disponível para integrar as iniciativas de oficiais bastante mais jovens e uma franca adesão aos nossos princípios e motivações, numa atitude pouco comum a muitos oficiais de patente mais elevada.
Recordo sempre um episódio em que ambos fomos intervenientes que é bem expressivo da sua natureza e do seu carácter: Mais próximo dos camaradas que lideravam as reivindicações promovi, na unidade onde ambos estávamos colocados, uma reunião com vista a dar conhecimento a outros oficiais da DSM da natureza e dos propósitos dos problemas que afectavam as carreiras e a dignidade dos oficiais das FA´s. Denunciada por alguém a realização desta reunião, entendida como conspirativa, fui abordado pelo oficial de segurança que pretendia saber quem tinha tomado esta iniciativa. Identifiquei-me como tendo sido eu o responsável e dada a necessidade de afirmar essa responsabilidade junto do subdirector comecei por dar conhecimento prévio ao Major Pedroso Lima que perante surpresa minha e enorme admiração me disse que também queria ir comigo. E assim, este homem que muito admirei ao longo deste longo trajecto comum das nossas vida, que não tinha estado sequer presente na reunião, que não tinha sido nem tido nem achado na sua realização, disse que eu não iria só porque estava solidário comigo e identificado com a natureza dos princípios e objectivos que nos animavam e, uma vez que eu era seu subordinado tinha a autoridade suficiente para não me deixar ir só.
Este era o Pedroso Lima. Amistoso, frontal, solidário, corajoso.
Há homens a quem nem a morte apaga a sua coragem.
Há homens para quem o fim da vida não é uma desistência.
Os seus gestos perdurarão connosco para sempre através da coragem necessária porque, como diz a canção, toda a esperança é legítima.
À família que teve o privilégio de ter este homem como parte integrante das suas vidas, em nome pessoal e no de muitos outros camaradas apresentamos as nossas sentidas condolências.
Até sempre companheiro.
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