QUE PENSAVA FERNANDO PESSOA “SOBRE O FASCISMO, A DITADURA MILITAR E SALAZAR”? LANÇAMENTO DO LIVRO NA CASA FERNANDO PESSOA, DIA 19 DE FEVEREIRO ÀS 19 H

O lançamento de «Sobre o Fascismo, a Ditadura Militar e Salazar», de Fernando Pessoa, é na próxima quinta-feira, 19 de Fevereiro, às 19h, na Casa Fernando Pessoa.

19.2 f. pessoa

Com José Barreto, organizador do volume, entrevistado por Susana Moreira Marques. E com Jerónimo Pizarro, director da Colecção Pessoa.

Este volume reúne pela primeira vez todos os escritos de Fernando Pessoa sobre o fascismo, a Ditadura Militar e Salazar, metade dos quais inéditos. Entre 1923 e a sua morte, em 1935, Pessoa assistiu ao advento do autoritarismo político: o triunfo do fascismo em Itália, a instauração de ditaduras militares em Espanha e Portugal, a tomada do poder pelos nazis na Alemanha e a formação do Estado Novo de Salazar. O seu pensamento político seguiu um trajecto sinuoso e hesitante, que o levaria da crítica demolidora da República democrática a uma defesa condicional da Ditadura Militar e, por fim, à rejeição do salazarismo. Pessoa foi uma voz pioneira na rejeição simultânea do comunismo e dos fascismos. Nacionalista místico, individualista radical e conservador liberal de «estilo inglês», acabou silenciado pelo regime de Salazar quando interveio publicamente em nome da liberdade do espírito e da dignidade humana.

O livro ainda não está nas livrarias, mas já pode ser espreitado aqui:http://goo.gl/o6CFvd

Fernando Pessoa, «adepto convicto» de Salazar, escreve em 1935:
«Solenemente
Carneirissimamente
Foi aprovado
Por toda a gente
Que é, um a um, animal,
Na assembleia nacional
Em projecto do José Cabral.
Está claro
Que isso tudo
É desse pulha austero e raro
Que, em virtude de muito estudo,
E de outras feias coisas mais
É hoje presidente do conselho,
Chefe de infernanças animais,
E astro de um estado novo muito velho.
Que quadra
Isso com qualquer coisa que se faça?
Nada.
A Igreja de Roma ladra
E a Maçonaria passa.
E eles todos a pensar
Na vitória que os uniu
Neste nada que se viu,
Dizem, lá se conseguiu,
Para onde agora avançar?
Olhem, vão p’ra o Salazar
Que é a puta que os pariu.»

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