INICIA-SE DIA 20 DE FEVEREIRO, ÀS 18 H, O “CICLO TEMPO E PALAVRA NA POESIA MANEIRISTA PORTUGUESA” NO CENTRO CULTURAL DE BELÉM

20 e 27 Fev 2015 – 18:00 às 19:00
6, 13 e 20 Mar 2015 – 18:00 às 19:00

Duração por sessão 1h

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«Quando a vezes a mi por mi pergunto»
Se o conceito de poesia maneirista pode ainda ser controverso, o debate que suscita é fecundo. Nada mais questionável do que o recorte de períodos: que razões o sustentam? Que benefício proporciona à compreensão de um fenómeno tão complexo como a “literatura”? Buscar resposta para estas questões significará trazer para primeiro plano obras e autores muitas vezes esquecidos; significará descobrir ou relembrar um património valioso, não raro ofuscado pela sombra de Camões.
Os poetas maneiristas (e Camões será um deles) são figuras activas em meados de Quinhentos, primeiras décadas do século XVII. Concebem a criação poética como “imitação” (no sentido clássico do termo), mas fazem-no vincando a capacidade de transformar o que colhem de modelos consagrados. Assim propõem a sua “maneira” de ver e de dizer, num jogo flagrante ou subtil, que desafia a memória e a argúcia do leitor.
Lucidez – sem dúvida, timbre da poesia maneirista. Lucidez na representação dos meandros do ser; na denúncia da força devoradora do tempo e da instabilidade do mundo; no cultivo da melancolia – “o gosto de ser triste” –, valorizada como marca de génio; na consciência do impacto e do fascínio da palavra e do discurso, onde se fundem arte e natureza, retórica e paixão.
«Quando a vezes a mi por mi pergunto»: no rasto desta pergunta saberemos mais sobre a poesia portuguesa, saberemos mais sobre nós.

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