Sobre a Grécia e os problemas que atravessa, são tantos os artigos de opinião que até já incomodam. Por isso eu me sinto incapaz de ler a maior parte deles e, do mesmo modo, escrever sobre o tema e ser mais um. De qualquer forma, confesso-me sobremaneira enjoado com todos aqueles que olham para a Grécia como a ovelha ranhosa.
O que se passa na Grécia é uma Revolução. Uma Revolução mais democrática do que todas as democracias para aí badaladas. Qualquer revolução é um fenómeno complexo, riquíssimo de componentes sociológicas, filosóficas, políticas e ideológicas. Um tempo de rotura, de esperança, de dúvidas e certezas, sucessos e frustrações, sonhos e ilusões, erros e contradições, coragens e cobardias. Mas são os únicos passos que fazem a humanidade avançar.
Que interessam as mastigadas inertes e descerebradas de todos os Passos e Cavacos? Que dizem os impúberes, provisórios e improfícuos palavreados de todos os sabujos de uma Europa vendida e rendida ao poder dos mercados, incapaz de entender o que é a solidariedade e a Justiça Social? Que crédito merecem as anémicas tiradas daqueles cuja dignidade e personalidade não chegam aos calcanhares dos que hoje constituem o legítimo governo da Grécia?
São criaturas sem história, que ficarão inexoravelmente à margem da História ou caídas na valeta da História. Não merecem ser lidas nem ouvidas em seus dislates. Não podem falar do que os transcende. São convidados do silêncio.

