A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
A chamada morte das ideologias é uma tese de direita e, na sua base está o pressuposto de que a dicotomia direita/esquerda deixou de fazer sentido. O fim da Guerra Fria pareceu aos seus ideólogos o momento ideal para passar a certidão de óbito a um confronto que sempre decorreu num terreno em que a direita é pobre – o das ideias. O fim do conceito de esquerda e direita, a extinção do conceito de classe, são coisas que interessam à direita e à falsa esquerda. Porém, num certo aspecto, o alinhamento político dos cidadãos não se faz em ordem a ideologias.
Não fora o comportamento política e socialmente desajustado das chamadas esquerdas e os autores citados não teriam razões para as suas conclusões. Nenhum dos citados, bem pode querer proclamar o contrário, porém, de facto, qualquer deles tem um entendimento idealista no modo de olhar a evolução social mundial. Os fenómenos de concentração do poder político em favor dos interesses dos capitalistas que, anos atrás, sucessivamente, geraram várias das chamadas unificações produzidas na velha Europa foram acompanhados da reformulação dum pensamento político que passou a sustentar-se fundamentalmente no apoio das classes médias educadas, por seu turno, na base do “amor pátrio e do acendrado patriotismo” que, como mostrou a evidência, as guerra europeias do último século só fizeram exacerbar. Com a entrada no jogo imperialista mundial da força imensa e dominadora dos ianques e, também, mais recentemente – não pode esquecer-se – dos emergentes, então, as classes sociais possidentes dos estado dominantes da Europa passaram a conclamar que “isso das Pátrias já não interessa” e que para substituí-las com vantagens – vantagens para os possidentes – nada melhor que uma união de todos os estados. Era uma força económica poderosa capaz de fazer frente a todas as outras envolvidas na disputa da hegemonia mundial. Como a burla da Europa unida tinha de ser bem burilada e melhor aperfeiçoada deram-lhe um conteúdo irrecusável como foi o de propagandear a democracia acima de tudo e, dessa maneira capciosa, empacotaram, emolduraram, senão mesmo, pintaram essa tal união. Esqueceram, tanto a direita como e esquerda, que as classes médias sociais dos estados periféricos europeus, por essência as produtoras tradicionais do pensamento mundial, o político em especial, acabariam por perder a sua posição destacada em qualquer das suas múltiplas intervenções sociais e, sobretudo, viam-se privadas do seu melhor instrumento de afirmação económica, social, cultural e política utilizado constantemente nas suas próprias casas governadas agora, numa nova modalidade, por uma bando de burocratas assistidos de perto por uns tantos inúteis, pagos a peso de ouro para brincarem aos parlamentos. Na Grécia quem levantou cabeça foi, essencialmente, quem não só a união europeia/IVreich arrastou muito para baixo, para um patamar económico e social que já não era o seu como, ela mesma, sem disso tirar quaisquer benefícios, pelo contrário, até viu destronadas, senão pervertidas, as suas referências sócio-culturais mais nacionais. Que não se arrependam!!!
Só espero que esta Frente Grega não tenha o destino infeliz daqueloutras que, nos transactos anos trinta, tanta esperança deram.
Em Atenas conseguir-se-á a “tumba” falhada na Madrid de 36? CLV