A COLUNA DE OCTOPUS – A propósto do avião Airbus A320 que se despenhou nos Alpes franceses.

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O aparelho seguia de Barcelona, em Espanha, para Dusseldorf, na Alemanha. No avião da Germanwings, uma companhia low-cost alemã, iam 144 passageiros, dois pilotos e quatro membros da equipa de voo.. Este acidente, além de muitas dúA propósto do avião Airbus A320 que se despenhou nos Alpes franceses. O aparelho seguia de Barcelona, em Espanha, para Dusseldorf, na Alemanha. No avião da Germanwings, uma companhia low-cost alemã, iam 144 passageiros, dois pilotos e quatro membros da equipa de voo. Este acidente, além de muitas dúvidas, deixa no ar que qualquer pessoa, tida como “normal”, pode ser um potencial assassino. Poucas horas depois do acidente, era encontrada uma das caixas negras, a do registo das conversas no cockpit. Poucas horas depois já tinham sido analisados esses dados, o que normalmente leva vários dias. Segundo esses dados, o piloto tinha saído da cabine e o co-piloto tinha ficado sozinho, e que, apesar do piloto ter batido á porta da cabine este não lhe abriu a porta, esquecendo que o piloto poderia ter acianado um código que ao fim de 30 segundos abria a porta do cockpit. Cedo foi referido que o co-piloto estava vivo até ao fim da tragédia, dado que se podia ouvir a sua respiração (no meio do ruído da cabine), o que não quer dizer que estava consciente. Depois temos um co-piloto que teria problemas psicológicos, ansiedade e depressões.

O facto é que muitas pessoas, ao longo da sua vida, tiveram episódios semelhantes o que não os inpediu de fazerem a sua vida. Um suicidia normalmente suicida-se sozinho a não ser alguns casos raros em que, por doença, por exemplo leva a mulher ou filhos para a morte. Um suicida que tenha algum ideal de “missão” divina fá-lo com aparato midiatico. Nunca iremos saber a verdade, até porque curiosamente a segunda caixa negra ainda não foi encontrada, quando é possuidora de um sinal que dura normalmente um mês.

A verdade é que, sendo considerado o meio de transporte mais seguro (o mais seguro meio de transporte é o elevador), e não tendo os motivos habituais de atentados terroristas, motivos políticos e recentemente religiosos (já um pouco fora de moda nos tempos que correm), temos agora “nenhum motivo”, o puro suicida. Temos de ter medo, muito medo. Agora qualquer individuo pode ser um potencial assassino, qualquer ser aparentemente “normal” poderá ser o assassino que destroi o nosso meio mais seguro de transporte.

O medo é a melhor maneira de controlar o ser humano…

 

2 Comments

  1. Primeiro, um esclarecimento.
    O código que pode ser accionado passados 30 segundos, se não houver resposta de quem está no “cockpit”, só funciona se quem está no interior dele não tiver trancado a porta. O manípulo de comando da porta tem três posições: neutra, de abertura e “de segurança”, que tranca completamente a porta. Se assim não fosse, em caso de ataque terrorista (foi por causa disso que surgiram as portas blindadas, completamente controladas do interior da cabine), qualquer dos tripulantes que estivesse cá fora poderia ser constrangido, sob ameaça, a permitir o acesso de eventuais atacantes ao “cockpit”. O vídeo de apresentação da Airbus mostra isso: num primeiro exemplo, a hospedeira usa o “seu código” (não o dos 30 segundos) e, perante a falta de resposta pelo intercomunicador, recorre ao “dos 30 s” e abre a porta, deparando com os dois pilotos inanimados, portanto, uma situação em que há um incidente (um corte local de fornecimento de oxigénio, p.e.) e o manípulo está na posição neutra, pois ninguém o accionou; no segundo exemplo, a hospedeira “bate à porta”, em vez de marcar o “seu código” de pedido de abertura, vendo-se, no interior, um dos pilotos comentar com o outro que não foi seguido o protocolo, pelo que a situação levanta suspeitas, seguindo-se a movimentação do manípulo para a posição que tranca completamente a porta.
    O que já foi dito por especialistas nestas questões, nomeadamente o Presidente do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves, é que a situação laboral mudou por completo, devido à ganância das companhias, cada vez mais ávidas de lucro, o que se sobrepões a tudo. Tradicionalmente, as companhias aéreas formavam os seus pilotos, previamente seleccionados, mesmo que proviessem da aviação militar. Pilotos e restante tripulação eram “a imagem da companhia”, tinham um enquadramento profissional e um acompanhamento cuidadoso e atento, que se foi aperfeiçoando e gerava um espírito de identificação com a transportadora: não garantia tudo, pois o factor humano inclui sempre uma zona de imprevisibilidade, mas esta era reduzida ao mínimo. Actualmente, e isso foi bem frisado pelo dirigente do GPIAA, na RTP, os pilotos têm de pagar a sua formação, a selecção é feita “depois” (!) e já sem os mesmos requisitos e cuidados, não há qualquer identificação com a transportadora que os emprega. Quando se começou a pôr a hipótese de um acto deliberado (tanto quanto poderá assim ser classificado algo que, a confirmar-se, não foi planeado, mas consequência de uma estado psicológico alterado…), o referido dirigente, ANTES das “descobertas” das baixas escondidas e outros “dados”, formulou logo a hipótese de o co-piloto poder estar ainda a pagar à companhia a sua formação, em “horas de voo grátis”, o que o levaria a esconder qualquer situação que o impedisse de trabalhar. Algumas intervenções do porta-voz da companhia aérea pareceram-me extremamente nervosas (mais do que justificaria a natural comoção perante a tragédia), por vezes até próximas da “histeria”, numa ânsia evidente de atirar para cima do co-piloto toda a responsabilidade de “esconder” as baixas médicas, consultas, tratamentos, antecedentes clínicos e o mais que viesse, e de tentar sonegar a questão fundamental de, sobretudo em áreas de actividade deste tipo, a responsabilidade última ser SEMPRE do “empregador”. De facto, estão em causa muitos milhões em indemnizações, com as óbvias consequências para a transportadora em futuras negociações com as companhias de seguros, e muitíssimos mais milhões em risco, perante a revelação da irresponsabilidade desta e – na opinião pública – de outras empresas do ramo, cujo “novos métodos de gestão” e suas consequências vêm agora à tona.
    Guiando-me pela gravidade das denúncias do dirigente do GPIAA e pelas análises de outros técnicos, o que agora “caiu na rua”, tornando-se objecto de muito maior atenção pública, é que, sejam quais forem as conclusões finais da investigação, elas apontarão sempre para que se tratou, afinal, de um dos muitos CRIMES que um capitalismo cada vez mais desenfreado, nas suas roupagens ultra-liberais, vem cometendo, com as suas políticas de “emagrecimento” e “poupança” (também chamadas de “combate ao desperdício”…), dos recursos humanos aos materiais: não são novos, nem poucos, os protestos de profissionais, deste e de outros sectores sensíveis, como o ferroviário, perante a redução das manutenções e da sua qualidade, a inexistência ou mau funcionamento de sistemas de segurança e por aí fora… Mesmo que se prove, sem ambiguidades, que o co-piloto foi o agente factual do acidente, a sua responsabilidade é mínima face às da companhia aérea, da degradação das sociedades actuais e dos seus Estados, cujos dirigentes permitem todos os abusos aos poderosos e ficam tartamudos quando as catástrofes mais que previsíveis acontecem. E não são (não serão, se não se arrepiar caminho) só estas.

  2. Gostei muito das suas consederações, efectivamente vivemos numa sociedade baseada no lucro em que as questões de segurança são sempre minimizadas.
    Fala-se em 279 milhões de indemnizações para as famílias, sem contar a perde milhões na perda do avião.

    Na grande maioria dos acidentes fala-se sempre do “elo mais fraco”: falência humana.

    Neste caso o “culpado” está designado: o co-piloto. Problemas psiquicos, depressão, problemas com a namorada, baixa médica rasgada, enfim toda a panóplia para bater certo: temos uma espécie de psicopata designado como culpado.

    No entanto, e talvez seja a minha mania de ver para além deste enorme fluxo de notícias convincentes, tenho muitas dúvidas.

    Poucas horas depois da acidente tinhamos uma das caixas negras que demasiado rapidamente foi interpretada e designado o culpado.

    Não encontravam a segunda caixa negra, apesar de um “bip” localizador, agora já a encontraram.

    Rapidamente não foram equacionadas outras hipóteses. “Ouvia-se a respiração do co-piloto na cabine”, cabine essa sujeita a vários ruídos de fundo. Estaria vivo? Não poderá ter accionado a abertura da cabine?

    Tenho muitas dúvidas quanto à versão oficial divulgada.

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