EDITORIAL  –  SERÃO AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS MAIS IMPORTANTES DO QUE AS LEGISLATIVAS?

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Alguns líderes partidários têm alertado para que se estará  a dar menos  atenção às eleições para o parlamento, do que às presidenciais. As primeiras deverão efectuar-se em Outubro de 2015, daqui a seis meses, e as segundas em Janeiro de 2016, três meses. Entretanto, sucede que o alarido à volta dos candidatos, ou dos não-candidatos, à presidência têm sido uma constante nestes últimos tempos, enquanto que no que respeita aos programas dos partidos candidatos ao parlamento, têm-se ouvido muito pouco. Nalguns casos parece haver mesmo pouco interesse em apresentá-los.

Os partidos lutam com as limitações próprias, e nisto os que estão no governo levam vantagem, como aliás é uma constante neste sistema político, e não só em Portugal. Entretanto, a comunicação social, sobretudo a grande comunicação social, mostra abertamente a preferência pelas eleições presidenciais. As razões são obviamente muitas, e não se pode atribuir as responsabilidades por este estado de coisas exclusivamente aos órgãos de comunicação social. Mas há que referir que estes vivem em economia de mercado e, como tal, procuram satisfazer a procura. As notícias sobre pessoas isoladas são normalmente mais apetecíveis do que as que tratam de medidas de política, programas, ou outras situações que têm de ser tratadas com pormenor. E a presidência da república é o cargo supremo da nação, por um lado, mas não lhe cabe governar directamente, em Portugal. Daí a importância de debater a questão, que está ligada aos próprios fundamentos do nosso sistema político.

Entretanto não será inoportuno introduzir aqui uma citação de um personagem do novo livro de Umberto Eco, Número Zero, que transcrevemos do Público.es do passado dia 6 de Abril:

“… não são as notícias que fazem o jornal, mas o jornal que faz as notícias, e saber juntar quatro notícias significa propor ao leitor uma quinta notícia…”

Esperando ter sabido dar a tradução adequada á citação, propomos que vão ao link:

http://www.publico.es/culturas/umberto-eco-revoluciones-hechas-intelectuales.html

 

 

 

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