EDITORIAL – O que fazer com esta realidade?

logo editorialTodos os dias publicamos este diário de bordo e nele  fazemos um breve ponto de reflexão sobre a actualidade ou sobre um aspecto da aactualidade – abrimos e folheamos o jornal, consultamos as edições online, ligamos o televisor, fazemos zapping em busca de alguma notícia sobre a qual valha a pena reflectir.  Feita a busca, escolhemos um tema e sobre ele compomos uma breve meditação. No entanto, dias há em que, postos perante o que aconteceu e está a acontecer, chegamos à conclusão de que nada do que possamos dizer sobre os assuntos que fazem a actualidade do dia, quer a actualidade nacional, quer a internacional, terá  a mais ínfima parcela de interesse.

Naturalmente que se trata de uma subjectividade, pois, como sempre, as notícias existem – a nós é que não nos apetece comentá-las. As eleições, as legislativas e as presidenciais – quem se candidata, quem se alia com quem, quem apoia quem;  a Tecnoforma, o caso BES e as alegações dos criminosos que, de formas diferentes, deram lugar ao roubo, com os ladrões a tentar branquear a sua participação, com os miseráveis a falar da sua dignidade, como se  tal atributo fizesse parte do seu equipamento moral; as vítimas da burla queixando-se…

 A aceleração do tom e da agressividade do discurso político nada tem a ver com aquilo que as palavras parecem querer dizer -as máquinas partidárias estudam  estratégias de marketing para vender o seu produto – ou seja para engendrar a publicidade enganosa que leve os putativos donos do poder, os cidadãos eleitores, a delegar esse poder nas suas mãos.

Não dizemos que os políticos são todos iguais, porque que há os que são mais iguais do que os outros – dizemos que, sendo uns honrados, outros assim assim, e outros delinquentes assumidos, todos se equivalem ao jogar o mesmo jogo – aquilo a que chamam o «jogo democrático» e que consiste num caldo de corrupção onde  as regras estão viciadas e só os delinquentes podem vencer. Temos os fait divers, crimes,  pais tóxico-dependentes que assassinam os filhos, esfaqueiam a sogra, assaltos, violência doméstica, rebentamento de botijas de gás e temos o «desporto» – ou seja, o futebol. espelho lúdico da corrupção generalizada.

O que fazer com este contentor de lixo a que se chama o real quotidiano? Denunciar?  O quê? Fazer queixa a quem?

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