CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – HÁ VIDA ANTES DA MORTE? – por Mário de Oliveira

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Geralmente, as pessoas perguntam-se, entre a angústia e o trivial, Há vida depois da morte? Pensamos que é a Pergunta fundamental. Não é. Basta darmo-nos conta de que, com ela, estamos a fugir da história, do hoje-aqui de cada qual, das práticas políticas, exclusivas dos seres humanos, da realidade que somos, em relações de proximidade, afecto, comunhão, vidas partilhadas, ou de ódio, distanciamento, ilhas cercadas de muros/preconceitos por todos os lados. É na história, antes da morte, que o ser-viver de cada ser humano se decide. Como tal, a Pergunta fundamental que, estupidamente, evitamos formular-responder, também por influência das catequeses das igrejas cristãs/religiões, é, Há vida (de qualidade) antes da morte?! Neste início do terceiro milénio cristão, depois de 200 mil anos de presença do “homo sapiens” = seres humanos-consciência no planeta Terra, esta é a Pergunta mais politicamente subversiva, conspirativa, provocadora. Na actual era da robótica, da exclusão dos seres humanos, cada vez mais excedentários, com o Ter a esmagar o Ser, em que tudo é reduzido a mercadoria, continuamos demenciaalmente a chamar vida ao que, para a maioria da humanidade, mais não é do que uma tortura, um mar de carências de toda a ordem, um vale-de-lágrimas, uma escravatura, um inferno. Uma realidade social, política, de todo intolerável que urge mudarmos, em cada hoje histórico. Por isso, canto: “Sabes que quem nasce é p’ra Crescer/ Não em Ter, mas Ser-sem-nenhum-amo/ Se cresceres assim por toda a vida/ Teu Morrer é o pleno do Humano”. E ainda: “Temos que matar o Deus-Dinheiro/ Sabotar as multinacionais/ Salvar nossas filhas, nossos filhos/ Desses falsos deuses imorais” (do meu Livro “Quadras e Outros Cantos-Poema”, Seda Publicações, 2014). Quando assim é, a morte – o rio que chega ao mar – é a plenitude do Ser, por isso, definitivamente invisível aos olhos, como tudo o que é Essencial. Eis!

22 Abril 2015

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