EDITORIAL – PARA NOS ENTRETER NÃO HÁ NADA COMO UM BOM ESPECTÁCULO

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No sábado, 25 de Abril, a data não deve ter sido escolhida por acaso, foi tornado público o que todos sabíamos, ou pelo menos suspeitávamos. O PSD e o CDS vão coligados às eleições. Claro que alguém apareceu logo a dizer que foi por o PS/António Costa ter apresentado dias antes o seu programa. Terá sido mesmo assim? Mas porquê? Combinaram entre eles?

O que parece ter estragado a encenação foi o anteprojecto de lei sobre o visto prévio. A coisa aí não terá corrido muito bem. Os três partidos “troikistas” iam muito sossegadinhos a prepararem umas eleições sem surpresas (pois há quem ainda acredite em surpresas), mas a coisa deu para o torto. Alguém não se sentiu contente. Ou então, algum ingénuo (também ainda vão aparecendo) teve uma revelação, divina ou diabólica, conforme o ponto de vista. Esperemos que o anteprojecto tenha ido por água abaixo.

Vamos ter evidentemente muita gente a escrever e a falar sobre o assunto. Mas parece que os preparativos vão avançados para termos umas eleições com resultados parecidos, para não dizer tal e qual, com o que se pretende (isto é, com o que Bruxelas/Berlim/troikistas pretendem). E, ao fim e ao cabo, há outros métodos, que não a imposição do visto prévio, para desacreditar e calar vozes discordantes. Desde a censura interna na comunicação social até à divulgação de ideias contrárias à participação política e que fomentem a inércia dos cidadãos. Começa no “eles são todos iguais” e vai até ao “para chegarmos lá só se formos todos juntos”. É verdade que ninguém é perfeito. Mas não podemos deixar que o reconhecimento dessa verdade elementar nos paralise.

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