O grande Capital continua imparável. Está tão enraizado na mente das populações-povos das nações, que nada, ninguém o detém. Só a própria implosão. Governos de esquerda, de direita são todos, cada qual a seu modo, aliados dele. Ele sabe – não é ele um deus omnisciente? – e recompensa-os. O mesmo se diga dos partidos políticos de direita, de esquerda. De resto, uma invenção/criação dele, como de tudo o que existe à face da terra, no Ocidente, como no Oriente, no Norte, como no Sul. Coisa nada estranha, uma vez que o grande Capital é um deus omnipotente. Só o planeta em si não é criação dele. Nem isso lhe faz qualquer mossa. Basta-lhe ser – e é – o dono disto tudo. Toda a Terra lhe pertence, ainda que sejam bastantes as famílias que se têm na conta de proprietárias das suas casas e de outros imóveis. Quanto mais ricas, mais escravas do grande Capital. As mais escravas dele são as elites, de direita ou de esquerda, às quais cumula de privilégios. Já as maiorias vivem em escalões inferiores. Há cada vez menos escalões intermédios. No passado, era destes escalões intermédios que saíam os seus principais colaboradores. Pensavam-se privilégiados, por mérito próprio, em consequência do seu maior desenvolvimento nas múltiplas áreas do conhecimento – profs, oficiais das forças armadas terra, mar e ar, magistrados, clérigos. Sobretudo, clérigos. Dos paços episcopais às paróquias. Com a chegada do terceiro milénio, as filhas, os filhos destes escalões já não são mais o que foram suas mães-avós, seus pais-avôs. São, sim, os novos proletários. À excepção de uma minoria muito restrita que ainda subsiste no poder político, religioso, judicial, militar. Mas já em vias de extinção. A implosão em curso é irreversível. Fazemo-la deflagrar com os nossos comportamentos rebotizados, nenhuns afectos, nenhuma sabedoria. Não há sequer uma “arca-de-noé” que salve os “eleitos”. O grande Capital é o único deus que não tem “eleitos”. Vão todos ao fundo com ele.
8 Maio 2015
