Mário de Sá-Carneiro nasceu a 19 de Maio de 1890, em Lisboa, num meio abastado, filho e neto de militares. Perdeu a mãe aos dois anos, e a avó aos nove. Passou a maior parte da infância na quinta da Vitória, da sua família, em Camarate, entregue aos cuidados de uma ama. Ainda em Lisboa, frequenta o liceu, e começa a interessar-se por poesia e pelo teatro. Aos doze anos traduz Vítor Hugo, e aos dezasseis Goethe e Schiller. Começa a escrever regularmente, e quando vai estudar para Coimbra, não consegue concluir o primeiro ano de Direito, mas vê publicada e representada a peça Amizade, que escreveu em conjunto com Tomás Cabreira Júnior.

Em 1912 publica o volume de novelas Princípio. Conhece na altura Fernando Pessoa, que será sem dúvida o seu melhor amigo. Parte de seguida para Paris, onde se matricula na Sorbonne, mas vai dedicar-se quase que exclusivamente ao mundo das letras e à vida boémia. Escreve a primeira carta a Pessoa, de uma série de 114. Em 1913 regressa a Lisboa, onde integra o primeiro grupo modernista português, com Fernando Pessoa e Almada Negreiros e participa na edição da revista literária Orpheu. Rebenta a Primeira Guerra Mundial em 1914 e Mário de Sá Carneiro regressa a Paris. Entretanto são publicados a narrativa As Confissões de Lúcio e o livro de poesias Dispersão. É então atacado por uma crise psíquica que vai precipitar o seu desenlace fatal. Prepara ainda as novelas que vão integrar Céu em Fogo (1915) e os poemas de Indícios de Oiro, este só publicado postumamente. A 26 de Abril de 1916, num hotel de Paris, parece que sob a influência da leitura do De Profundis, de Oscar Wilde, ainda antes de completar 26 anos, Mário de Sá Carneiro ingere cinco frascos de estricnina, acabando assim os seus dias.

