EDITORIAL – Aplicar ou não o Acordo

logo editorialO Artigo 2.º da Resolução da Assembleia da República nº 35/2008 previu um período de seis anos para a transição definitiva para a nova ortografia. Este período, iniciado a 13 de maio de 2009, com a entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico, terminou em em 13 de Maio de 2015. Durante estes seis anos, coexistiram as duas ortografias. Desde o dia 13, as novas regras deveriam ser aplicadas em Portugal e no Brasil.

Deviam?

Todos os argonautas têm, no plano pessoal, uma posição definida relativamente ao Acordo Ortográfico – alguns a favor, outros contra e até há quem assuma uma posição de indiferença. Os argonautas têm opinião e tomam posição de acordo com essa posição – aplicam ou não aplicam. O blogue não toma posição, ou seja, ainda que a grande maioria dos elementos seja contra um documento que carece totalmente de sentido, não podemos assumir uma posição que seria hostil a uma parte minoritária, mas estimável. Aplicar o Acordo seria um acto de violência e, por certo, provocaria a saída de numerosos colaboradores.

A minoria que, entre nós, aplica o Acordo, fá-lo por razões diferentes – por um motivo prosaico, mas compreensível – professores e funcionários públicos em geral têm de escrever de acordo com as novas regras; outro caso de uma natureza diferente é o dos Amigos galegos que o fazem pela convicção de que estas regras, que fixam uma ortografia mais próxima da brasileira, criam um português mais universal.

Ferozmente contra, é a grande maioria dos nossos colaboradores e não lhes faltam razões, inclusive de carácter científico – e recordamos que a Filologia é uma ciência e que quem defende este Acordo devia aduzir argumentos científicos e não razões de carácter político.

Quem é indiferente a toda esta polémica, acredita que o português é uma língua robusta, saudável, e que, portanto, vai resistir a esta agressão. Agressão inútil, pois embora o português do Brasil seja muito pouco afectado pelas novas regras ortográficas, no Brasil quase ninguém dá atenção a esta  “unificação da língua” – portanto Portugal fez uma cedência relativamente ao idioma que não vai ter qualquer efeito positivo – aquilo a que se pode chamar um investimento sem retorno,

 

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