LA PUTAIN RESPECTUEUSE – por CÉSAR PRÍNCIPE

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 César Príncipe

LA PUTAIN RESPECTUEUSE

 

A caça ao jornalismo constitucional e socialmente responsável não é desencadeada apenas por jornalistas de confiança contra jornalistas e cidadãos em quem o poder não confia ou de quem o poder desconfia. As instâncias político-legislativas fixaram um quadro limitador dos colectivos redactoriais, passando a ignorar as suas posições e as suas fortalezas de classe (Conselhos de Redacção, Delegados Sindicais, Sindicato). A guerra mediática foi preparada por fases. Começou pela vida interna das redacções: alteração do quadro legal, selecção de fidelizáveis, precariedade laboral, trabalho intensivo e mal remunerado. Os estrategas e executores desta mudança de paradigma ainda se ressentem dos fantasmas igualitários e libertários do 25 de Abril, em que os trabalhadores da Informação detiveram uma efectiva influência, tornando-se aliados dos leitores, radiouvintes, telespectadores.

Entretanto, o legislador, após arrebatar aos jornalistas a capacidade de pronúncia vinculativa sobre a nomeação das Direcções, criou um programa penal para os delitos de Investigação, Informação e Opinião. Isto é, enquanto os crimes de Imprensa ganharam tratamento prioritário, ilustres criminosos têm andado por aí, confiados em altas tutelas e nas virtudes da morosidade processual. Não será também por razões misteriosas que, em alguns decénios de Democracia, os chamados delitos de Imprensa foram contemplados nas amnistias de pacificação civil & nos resgates de almas penadas. A Verdade bem se afadiga, de quando em vez, para que saqueadores do Fundo Social Europeu & outros empreendedores pós-modernos se sentem no banco dos réus e acabem condenados a penas impiedosas.

Mas a Justiça do Sistema (principalmente a que depende do foro legislativo e ministerial) é dolosamente benevolente e lenta para fundistas, bpnistas, bessantistas, pppistas, swapistas, submarinistas. Só ultimamente (e ver-se-á até quando não lhe tolhem o passo) a máquina judiciária tem atacado alguns redutos da criminalidade de topo. Haverá que congregar e potenciar todas as forças saudáveis: o sistema que nos governa, por natureza corrupto e branqueador, protege-se e monta o cerco e faz a cama a quem o perturba. Por vezes, com assomos de populismo e um ou outro acto cirúrgico de consenso. Expedientes para ganhar margem de manobra e persistir na cobertura dos interesses da cosa nostra.

E os órgãos de Comunicação Anti-Social agem como fábricas de moldes mentais, caixas de ressonância do discurso dominante e filtros do espaço público. É o Novo Secretariado da Propaganda e é a Nova Censura (económica, política, jurídica, social). Pois, pois. A Censura existiu. Pois, pois. A censura persiste. É indispensável não branquear o Antigo Regime. É imperioso não branquear o Novo Regime. Campeiam nas auto-estradas da Informação salteadores da honra republicana e profissionais do Harém Mediático. Talvez o epíteto de Quarto Poder fosse mais consentâneo se assumido, nalguns casos e por certas caras, como Quarto do Poder/Poder do Quarto. Uma espécie de Assembleia Prostituinte (entidade informal mas tentacular e hiperactiva) tem vindo a perverter a letra e o espírito da Assembleia Constituinte. E por regra, apelando às boas práticas e até ao regresso aos valores. Duplicidade que está em linha com a cultura da pureza instituída neste reino: Portugal foi consagrado à Imaculada em 1149. Portanto, há 866 anos que a Mãe de Deus faz vista grossa a toda a espécie de conúbios. Pelo que se depreende, uma virgem dá sempre muito jeito. Não será por caso que quase todas as religiões e mitologias tanto investem no hímen.

Bem-vindos ao Jornalismo de Chambre, à CMP/Casa Mediática Portuguesa.

La Putain Respectueuse espera a vossa visita.1

 

  1. La putain respectueuse. Peça de teatro no index de Portugal até 1974. Também nunca editada no País da Virgem. Judite Lopes fez um estudo de caso: representação de La putain respectueuse de Jean-Paul Sartre em 1946. Estudo divulgado no âmbito da International Conference: Translation & Censorship, Universidade Católica Portuguesa, 27-28 Novembro 2006. A citação de Sartre (1905-1980) tem sobretudo a ver com a extrapolação do título. Reforça-se o conceito prostituinte, de chambre ou Jornalismo de Room, com uma citação de Paul Craig Roberts, ex-editor de The Wall Street Journal, antigo Secretário-Adjunto do Tesouro dos USA: Quem é o pior inimigo do povo americano? O Irão ou o Governo em Washington e as prostitutas dos média que o servem? (www.opednews.com).

 

 

                CÉSAR PRÍNCIPE

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