O Livro de Urizen é de autoria de William Blake, poeta e pintor que viveu entre 1757 e 1827.
Calcula-se que tenha sido escrito em 1790 e publicado em 1794. É uma obra dotada de um fabuloso misticismo e representa a visão de Blake para a Gênese dos espíritos elementares, aqui representados pelos filhos de Urizen: o ar (Thiriel), a água (Utha), a terra (Grodna) e o fogo (Fuzon).
O poeta nasceu em Londres em 1757, foi aprendiz de cartógrafo e estudou desenho na Academia Real. O seu primeiro livro foi de poesia – Esboços Poéticos.
Como místico religioso, afastou-se do ensino tradicional das igrejas Cristãs. Construiu sua própria doutrina com símbolos por ele criados, moralidade e idealismo pessoais. Olha e interpreta a pobreza, a injustiça, a malignidade da sociedade que muitos se recusavam a admitir.
Acontece que a maioria dos livros de Blake não foram publicados no sentido tradicional do termo. Foram impressos para comissões especiais de colecionadores privados ou para livreiros de Londres. Assim, hoje, eles são raros. Ora, Blake acompanhava com ilustrações próprias os seus livros, através de um processo de prensagem desenvolvido por ele e denominado “Impressão Iluminada” .
Blake morreu em 1827, na pobreza e obscuridade. Mas é hoje reconhecido como “um dos ícones culturais do mundo de fala Inglesa” (Dicionário Oxford de Biografia Nacional). É hoje considerado um fortíssimo percursor do romantismo, também por ver e interpretar a pobreza, a injustiça, a malignidade da sociedade que muitos se recusavam a admitir.
Existem apenas seis raras reproduções do Livro de Urizen que, embora possuindo o mesmo texto, diferem quanto à coloração e ilustrações. Um exemplar foi vendido pelo preço de 2,3 milhões de dólares.
Em Portugal, temos uma edição bilíngue da Assírio e Alvim, com tradução de João Almeida Flor (2ª ed., Lisboa: Assírio & Alvim, 1993, pp. 26-27).
“Na fundura da minha solidão sombria, Na eterna morada, meu refúgio sacrossanto, Encoberto e embrenhado em reflexão soturna, Reservado para os dias do porvir, Busquei uma alegria, de dor liberta, Alguma solidez isenta de mudança. Ó Eternos! porque será morrer vosso desejo? Porquê viver em perpétuas chamas?”