CRÓNICAS PORTUGUESAS DO FOTÓGRAFO GEORGES DUSSAUD OFERECIDAS A BRAGANÇA PODEM SER VISTAS ATÉ DIA 30 DE OUTUBRO

As “Crónicas Portuguesas” de Georges Dussaud foram oferecidas a Bragança. Câmara inaugurou o centro de fotografia a que deu o nome do fotógrafo francês.

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Do site do “património, artes e museus (https://pampatrimonioartesemuseus.wordpress.com)  retirámos a seguinte informação:

“No Verão de 2007, o fotógrafo francês Georges Dussaud (n. Brou, Bretanha, 1934) apresentou no Porto, no Centro Português de Fotografia/Cadeia da Relação, uma exposição retrospectiva dos trabalhos que foi fazendo em Portugal desde que visitou o país, pela primeira vez, em 1980. Chamou-lheCrónicas Portuguesas – uma viagem que ficou também registada no livro-catálogo com o mesmo título editado pela Assírio & Alvim. Cento e cinco da colecção de 135 fotografias que compuseram esta exposição foram doadas à Câmara de Bragança, que, com este acervo, criou o Centro de Fotografia Georges Dussaud, que hoje é inaugurado no âmbito do programa de comemoração do 25 de Abril.

“Que a Câmara de Bragança tenha decidido atribuir o meu nome a um centro de fotografia, e que tenha ainda decidido inaugurá-lo num dia de tão grande importância para o país deixa-me muito emocionado”, comentou para o PÚBLICO Georges Dussaud, num email enviado no início desta semana, no mesmo dia em que partia da sua Bretanha natal para uma viagem de barco e de carro até à cidade de Trás-os-Montes.

Trata-se da 86.ª viagem que o fotógrafo e a sua companheira de vida e de trabalho, Christine Dussaud, fazem a Portugal, onde têm realizado sucessivas reportagens e produzido livros – o primeiro dos quais, Trás-os-Montes, foi editado em 1984, com um texto de Miguel Torga – e exposições. Algo que promete continuar a fazer no nosso país, “enquanto tiver saúde e energia”.

A decisão de doar a Bragança parte da colecção das fotografias de Crónicas Portuguesas tomou-a depois de lhe terem comunicado que a autarquia tinha o projecto de criar um centro de fotografia com o seu nome. E também depois de, durante mais de dois anos, não ter recebido por parte do Centro Português de Fotografia (CPF) nenhuma resposta concreta à sua anterior oferta daquele acervo a esta instituição nacional. “Inicialmente, propus esta doação ao CPF, há mais de dois anos, mas, apesar do interesse e do desejo manifestado em receber a colecção, o centro não avançou com nada de concreto”, justifica Dussaud.

No arquivo do CPF ficaram, contudo, 30 fotografias das 135 que fizeram a exposição Crónicas Portuguesas – e que entretanto foram também expostas no Museu de Portimão. Às 105 que transitam agora para o novo centro em Bragança, Dussaud acrescentou 43 novos trabalhos realizados para o novo espaço.”

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Das quatro salas que constituem o centro, três estarão destinadas à colecção Crónicas Portuguesas, sendo a quarta aberta a exposições temporárias. “O negro e a luz são a matéria com que Georges Dussaud descortina, como um poema visual, a cartografia de um universo visceralmente telúrico, ainda que aparentemente antigo e agreste”, escreve Jorge da Costa no texto de apresentação da exposição. “Da sua ampla narrativa de imagens, que convocam simultaneamente as suas vivências, sobressaem histórias de vida, povoadas de homens, mulheres e crianças, mas também de lugares, de olhares, de gestos, de instantes irrepetíveis que congela a cada rigoroso disparo da máquina fotográfica”, acrescenta o comissário.

Georges Dussaud é um nome de referência na fotografia francesa. Está ligado, desde 1986, à agência Rapho, criada em Paris em 1933 pelo húngaro Charles Rado, e refundada depois da 2.ª Guerra (na época em que Cartier-Bresson e Robert Capa lançavam a Magnum), num momento em que o fotojornalismo se afirmava como veículo privilegiado de comunicação. Com figuras como Robert Doisneau e Edouard Boubat, a Rapho sempre cultivou uma fotografia de pendor humanista. É esta a marca de Dussaud, e Portugal (e a região de Trás-os-Montes) tem nele um dos olhares mais dedicados.

Morada: Rua Abílio Beça nº 75/77
5300-011 Bragança

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