OS JOVENS, O ÁLCOOL E A LEI por clara castilho

“Os Jovens, o Álcool e a Lei. Consumos, atitudes e legislação (2015)”, de Carla Ribeiro [et al.], dá-nos a conhecer um pouco desta realidade, reportando-se ao período de Maio/2013 a Maio/2014). É parte integrante de um Programa de Estudos sobre a Aplicação do Regime de Disponibilização, Venda e Consumo de Bebidas Alcoólicas em Locais Públicos e Locais Abertos ao Público. Tem como principal objectivo a caracterização de padrões de consumo de bebidas alcoólicas em jovens, com o enquadramento da alteração legislativa mencionada.

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Puderam contatar que:

– o consumo de bebidas alcoólicas é bastante evidente entre os jovens que participaram neste estudo em idades em que não é legalmente permitida a disponibilização, venda e consumo de bebidas alcoólicas em locais públicos ou abertos ao público, começando logo nos jovens de 10-15 anos.

– as bebidas mais consumidas nos últimos 12 meses são a cerveja e as bebidas espirituosas, sendo a primeira ingerida com maior regularidade e a segunda por um maior número de jovens.

–  a frequência mais comum de ingestão destas bebidas consiste em 1 a 3 vezes por mês, o que provavelmente coincide com a frequência de eventos sociais com outros jovens, uma vez que a ingestão de bebidas alcoólicas é assumida por estes como parte integrante destes eventos e potenciadora da diversão.

– o início do consumo de bebidas alcoólicas tende a ser precoce e abaixo da idade mínima legal, sobretudo entre os 13 e os 15 anos, sendo assumido pelos jovens como uma experiência natural, isto é, expectável para um jovem.

– os jovens dizem que “o álcool está na moda”, que pretendem “ficar alegres” mas, tanto a «embriaguez» como o «coma alcoólico» são considerados como efeitos indesejados, não só pela experiência desagradável, mas também por prejudicarem a diversão.

– no último ano, um quarto dos jovens assistiu a amigos a entrarem em coma alcoólico e 10% experienciaram eles próprios esta situação no último ano.

Passado um ano da alteração legislativa, os dados recolhidos constituem-se como um primeiro indicador de que, neste período, não ocorreu uma diminuição expressiva do consumo de bebidas alcoólicas e padrões de consumo nocivos em jovens.

Verifica-se que, apesar de os jovens serem tendencialmente favoráveis a medidas restritivas no que diz respeito à idade mínima legal para o acesso a bebidas alcoólicas, de uma forma geral são desconhecedores da legislação vigente. Colocam a responsabilidade da sua aplicação nos estabelecimentos comerciais, não se sentem pessoalmente mobilizados no seu cumprimento e consideram pouco provável sofrerem consequências mediante o seu incumprimento.

Metade dos jovens inquiridos referiu já ter sido submetido a práticas de controlo por parte dos estabelecimentos comerciais para a venda de bebidas alcoólicas. Adicionalmente, os jovens adoptam mecanismos para contornar as barreiras no acesso a esta aquisição, obtendo as bebidas em locais onde sabem que o controlo é menor, em casa, ou pedindo a amigos mais velhos para o fazerem.

http://www.sicad.pt/BK/EstatisticaInvestigacao/EstudosConcluidos/Documents/2015/Os_Jovens_Alcool_Lei_Consumos_Atitudes.pdf

 

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