“Um Lugar Chamado Oreja de Perro” é o livro do peruano Iván Thays, editado pela Eucleia, com tradução de Natália Reis, do ano de 2011.
Uma grávida que fala com os anjos, uma antropóloga que quer ser hipnotizada e sonha com correspondentes de guerra, um fotógrafo cínico e intratável, um presidente cronicamente atrasado, um amnésico que traduz Shakespeare e aprende chinês. Um jornalista que não aprende a viver sem o filho e sem a mulher, que não consegue escrever uma carta, que vagueia perdido pelo mundo, por um lugar chamado Oreja de Perro.
Um lugar chamado Oreja de Perro foi finalista do prestigiado Prémio Herralde de Novela em 2008.
Iván Thays (Lima, 1968) é um dos mais reconhecidos autores peruanos da actualidade. Contista, romancista, professor universitário, Iván Thays apresentou durante alguns anos um polémico programa televisivo sobre livros e mantém o famoso blogue Moleskine Literario.O seu talento já foi realçado por autores como Mario Vargas Llosa, Alfredo Bryce Echenique e Alonso Cueto. Sobre ele disse Mario Vargas Llosa: “Iván Thays é um dos mais interessantes escritores que apareceram na América Latina em anos recentes.”
Se, por um lado vamos podendo ver o país das vítimas causadas pela guerra política entre os diversos governos peruanos e o grupo terrorista de inspiração maoísta Sendero Luminoso, por outro, o protagonista, um jornalista, vai-se confrontando com os seus dramas pessoais, quando faz a cobertura de um acontecimento numa localidade chamada Oreja de Perro.
“Enquanto os demais decidem o que fazer, vou até Jazmín e sento-me a seu lado. Estamos calados um bocado. Logo, comenta que lhe parece estranho ver Oreja de Perro tão iluminada, com tanto barulho a essa hora, com tantos jovens em redor.
Conta-me que ela era então uma menina, e apenas se recordava de algo, mas esteve aqui nos anos oitenta, quando ainda havia terrorismo. E ainda que não pudesse dizer nada em concreto sobre o muito que, mais que provavelmente, tinha mudado o lugar, sabia que o nome, Oreja de Perro, lhe causava por aqueles anos, o mesmo estremecimento que agora. E quando era menina, em Huamanga, costumava encontrar cadáveres de cães pendurados em postes ou atirados para as veredas, alguns deles com cartazes onde se liam palavras como BUFOS ou REVISORES ou até mesmo uma palavra de som quase mágico, raríssima, como DEN XIAOPING, cujo sentido ela não conseguia compreender nessa idade ….] Sabes o quê?, pergunta. Na verdade, penso que o nome Oreja de Perro é como uma premonição. Imagina, todos os dias esquartejavam cães em Aycucho. E se vês num mapa, este sítio parece um enorme pedaço cerceado de algum desses cães, ou de todos.