EDITORIAL – NOVO ANO LECTIVO, NOVAS INCERTEZAS E NOVAS INJUSTIÇAS

Soube-se ontem que cerca de 22 mil professores ficaram sem colocação. logo editorialHavia que preencher 17.850 horários. Já estão garantidos 15.718, os outros estão dependentes dos concursos que se seguem. E as famílias portuguesas vão gastar mais dinheiro este ano com o regresso às aulas, ficando na módica quantia de 528 euros em média. E se existe a possibilidade de se recorrer aos 200 bancos de recolha e partilha gratuita de livros escolares, a verdade é que há constantes mudanças de metas curriculares e de manuais por parte das escolas, o que dificulta a sua reutilização, contrariando a legislação em vigor que estabelece um prazo de seis anos de vida para os livros.

Eram 25.296 professores candidatos a contratação inicial, foram colocados 2.833 professores em vagas consideradas necessidades transitórias das escolas. E recomeça a saga de muitos professores, os que vivem no Norte a serem colocados no Sul, com tudo o que isso implica de mudanças, para o próprio e para as famílias, crianças incluídas. E está provado o impacto destas condições de trabalho na saúde física e mental dos profissionais, tendo a Organização Internacional do Trabalho classificado como uma profissão de risco físico e mental.

Para funcionários de escolas, também está a decorrer a selecção de novos 2 882 postos, a que se oferece ordenado mínimo, um lugar no Estado, contrato de um ano, com possível renovação. Apetecível? Certamente! Até concorrem licenciados, com cursos em que poderiam estar a desempenhar outras funções na mesma escola (psicologia, serviço social…)

Por outro lado, o Ministério da Educação vai apoiar este ano 1.731 turmas em escolas de ensino particular e cooperativo, que representam um custo anual por turma de 80.500 euros, mesmo a colégios que se encontram sob investigação.

Aos agrupamentos de escolas que superam metas definidas pelo Ministério da Educação no que diz respeito à sua “eficácia educativa” e à “redução de alunos em abandono ou em risco de abandono” (274) vão ser dados “prémios” em créditos horários, o que implica a possibilidade de reforçar horários incompletos de professores ou fazer novas contratações e apostar em novas ofertas para os alunos, nomeadamente as que se destinam a colmatar as dificuldades dos estudantes. Ora, a fórmula utilizada, segundo o presidente da As. Nac. Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, acaba por aumentar o fosso entre as melhores escolas e as que enfrentam dificuldades que nem sempre são dependentes dos seus esforços…

 

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