EDITORIAL: JOSÉ SÓCRATES LIBERTADO. PORQUÊ AGORA?

Após 288 dias na cadeia, José Sócrates foi libertado. Não podemos deixar de logo editorialassociar à  intervenção de Paulo Rangel na Universidade de Verão do PSD sobre a promiscuidade e corrupção durante os Governos socialistas face à acção durante o Governo da coligação, tentando levar o caso para a campanha eleitoral. Será que esta situação vai mesmo ter influência na campanha? Jerónimo de Sousa e António Costa já vieram dizer que esperam que os partidos não se aproveitem da situação neste período. Passos Coelho não quis comentar, assim como se tem “resguardado” da maior parte dos debates.

Há que analisar se esta libertação o foi por ser a data “oportuna” para José Sócrates sair da prisão  ou se teria mesmo que ser agora. Carlos Alexandre, juiz que tem tomado as medidas relativas a este caso, decidiu alterar a medida de coacção de prisão preventiva para a prisão domiciliária. Ora, três meses depois (a 9 de Junho tinha sido reavaliado, como a lei obriga) considera que já não existe o perigo do ex-primeiro ministro vir a perturbar o inquérito, em especial no que se refere a recolha de provas. Estava a cinco dias do prazo máximo da reavaliação da medida de coacção preventiva (9 de Setembro). Segundo as notícias, o procurador Rosário Teixeira   já “não promoveu a fiscalização da medida por meios electrónicos”, mas ainda invocou o perigo de fuga, mas desta vez o juiz Carlos Alexandre não concordou. Sócrates será por isso vigiado por agentes da PSP que já o esperavam à aporta da casa onde ficará a viver.

Paulo Rangel trouxe o caso para a berlinda, querendo mostrar a independência da justiça durante o governo da coligação, o que equivalia a dizer que durante os governos socialistas ela era instrumentalizada…. As suas declarações não foram bem recebidas até mesmo por alguns dos seus colegas de partido. É assunto em relação ao qual não temos dúvidas. Mas cuja resolução não passa por larachas oportunistas.

 

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