Novo ano se vai iniciar e novo período de decisão entre gastar o dinheiro na aquisição de toda a lista apresentada pelas escolas, ou gastar horas e horas, quilómetros e quilómetros para encontrar um livro já usado, nos bancos de troca de livros escolares já usados. O aumento médio volta a ser de 2,6%, de acordo com a convenção assinada em 2012 entre a Associação Portuguesa de Editores Livreiros e a Direção-Geral das Atividades Económicas. Considerando o rendimento médio em Portugal, a despesa anual nos manuais de uma criança (e não esqueçamos os custos dos materiais) pode facilmente chegar ao equivalente do rendimento mensal de um dos pais. Como pode ser considerado razoável que quem ganha €500 por mês gaste uma quantia equivalente de uma só vez em livros?
Mas o facto é que, por exemplo, o Movimento pela Reutilização dos Livros Escolares já recebeu uma centena de denúncias de famílias e escolas indignadas com os “obstáculos” que lhes são colocados quando recorrem ou procuram promover o empréstimo de manuais escolares. Chega-se ao cúmulo de as editoras mudarem os títulos e os códigos ISBN, gerando confusão, mas correspondendo a obras com conteúdo igual. E, espanta-nos, mas sim, é possível, há professores que dizem que os alunos não podem usar os livros por terem ISBN’s diferentes!
Há escolas pressionadas para não criarem bancos de livros, há professores que marcam falta de material a quem não tem o manual novo. As reclamações vão ser anexadas a uma queixa que o movimento se prepara para apresentar na Provedoria de Justiça para reclamar o cumprimento da lei.
Nos últimos 4 anos tem o movimento reutilizar.org defendido a criação de bancos de livros em todas as escolas e acessíveis a todos os alunos tal como previsto no Lei 47/2006 e sugerido no Parecer 8/2011 do CNE.
O “Movimento pela reutilização dos livros escolares” é um movimento de cidadãos que promove a criação e divulgação de bancos de recolha e partilha gratuita de livros escolares em todo o País.

