Amanhã, 20 de Setembro, há eleições na Grécia. Dia 27 de Setembro vai haver eleições antecipadas na Catalunha. 4 de Outubro teremos eleições em Portugal. Para além dos dramas internos de cada um dos países, uma interrogação: para o eleitor, para cada cidadão que vai votar, no momento da decisão, qual o peso da ideia que tem sobre o futuro do continente europeu? Sobre o futuro das actuais instituições europeias? Perdão, sobre o futuro do que se resolveu chamar a União Europeia? Terá a noção de que o seu governo nacional tem a sua acção muito limitada pelas restrições impostas pela adesão a esta última?
O continente europeu tem um colosso a leste, a Rússia, muito afectado por crises nas últimas décadas (não vamos aqui reanalisá-las), mas que tem tido sempre um peso grande na sua vida, mesmo quando estava em crises profundas. Ao centro, um gigante (Golem, Frankenstein?), ora em crise, ora procurando afirmar a sua ascendência sobre os outros países, a Alemanha. Mais a ocidente, dois países em luta constante, o Reino Unido e a França, que continuarão pelos séculos mais próximos a nutrir uma rivalidade inultrapassável, mesmo que só se manifeste no humorismo (veja-se Os Cadernos do Major Thompson, de Pierre Daninos). E alguns países periféricos, com historiais gloriosos, mas vidas presentes pouco brilhantes. Pensem um pouco no que foram a Grécia, a Itália, o reino espanhol (a que muitos chamam Espanha) e Portugal, e no que são agora. E já agora, na Irlanda, e até na Dinamarca e na Suécia. Apesar das diferenças actuais, as situações destes últimos têm algumas semelhanças.


“A Europa das Cem Bandeiras” é o título dum livro do jurista bretão Yann Fouéré. em que – e muito bem – é preconizado o regresso à Primeira Europa. Desmembrar as aberrações estatais que proliferam por esta Europa deverá ser a tarefa prioritária das várias Nacionalidades Oprimidas. Quem mais, além de Portugal, nesta Europa recheada de pequenos impérios, não submete uma qualquer Nacionalidade. Um capital dos portugueses que jamais foi invocado.