EXPOSIÇÃO “A LUZ DE LISBOA” – A LISBOA DE ANTÓNIO DA CUNHA TELES por Clara Castilho

De 17 de Julho a 20 de Dezembro de 2015, decorreu a exposição A Luz de Lisboa no Torreão Poente do Museu de Lisboa, no Terreiro do Paço. Um dos realizadores que nela foram incluídos é António da Cunha Teles, com o filme O Cerco.

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António da Cunha Telles é um cineasta e produtor, um dos iniciadores do Cinema Novo português, tanto como realizador como produtor.

Estudou Medicina, acabando por se dedicar ao cinema, depois de se instalar em Paria por volta de 1956 e estudar realização no Institut des Hautes. Mais tarde, em Portugal, dirigiu o jornal de actualidades Imagens de Portugal.

Estreiou-se na realização com o documentário Os Transportes (1962), encomendado pela Direcção-Geral do Ensino Primário. Produziu “Os Verdes Anos (1963) de Paulo Rocha e Belarmonho (1964) de Fernando Lopes.

Em 1969 começou uma carreira de realizador: a sua primeira longa-metragem  foi, em 1970,”O Cerco”. Fundou, entretanto, uma distribuidora (Animatógrafo) que seria responsável por uma quase revolução no tipo de cinema visto em Portugal na primeira metade dos anos 70.

Nos anos 70, realizou três filmes, sendo Meus Amigos (1974) e Continuar a Viver (1976) em nome próprio e As Armas e o Povo (1975), um filme realizado colectivamente. Pertenceu à administração do Instituto Português de Cinema e da Tóbis Portuguesa.

Realizou ainda Vidas (1984), Pandora (1996) e, mais recentemente, Kiss Me (2004).

No filme O Cerco, uma filha da alta burguesia de residência lisboeta, Marta, deixa o marido. Sabe que há coisas que já não lhe interessam e tenta vida nova. É hospedeira de terra numa companhia de aviação e modelo de uma agência de publicidade. Tem problemas de dinheiro e recorre a Vítor, para melhorar as coisas. Mas tudo piora. Vítor – um contrabandista a quem a vida já tudo ensinou e que já não tem esperança – agrada-lhe, conforta-a, mas não lhe dá nada do que verdadeiramente precisa. Certo dia, ele aparece morto. Culpa sua? Um descuido? E Marta prossegue, sempre de certo modo sozinha, o seu caminho, em busca de qualquer coisa, numa terra que não é bem a sua.

 

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