Transformar o mundo, não apenas explicá-lo, é indubitavelmente o mandamento primeiro, neste início do terceiro milénio que somos-vivemos, desde o big-bang. Connosco ao leme da Evolução, o mundo tem fundadas expectativas de dar o salto qualitativo na direcção do plena e integralmente humano. Antes de acontecermos visíveis, no decurso da Evolução, já somos no big-bang. Nunca é demais sublinhá-lo, proclamá-lo até aos confins do Cosmos, aurora de novos e sucessivos confins, expansão sem ocaso. Somos o que seremos. Por mais que em cada hoje o inimigo do humano tente e consiga desviar a muitas, muitos, da missão que trazemos nos genes e nos distingue de todos os seres que nos precedem no tempo, o seu triunfo é simultaneamente o seu fracasso. O Humano pleno e integral é a meta por que anseia o Universo em expansão. Sem ele, o big-bang é destituído de sentido. Têm sido muitas as corrupções, muitos os desvios, seduzidos que somos por messianismos-cristianismos religiosos e políticos que nos acenam com amanhãs que cantam. Mais não são do que pesadelos, como o que, por estes dias, conhecemos na carne, aqui na Europa, invadida a toda a hora por milhares de migrantes-refugiados que fogem das guerras que os amanhãs que cantam reiteradamente desencadeiam no planeta, cada vez mais vale de lágrimas, inferno de dores, oceano de gemidos que nenhuma sinfonia de Beethoven, nenhum concerto de Mozart, nenhuma fuga de Bach conseguem calar. Que palavra pode transformar o mundo, quando os cientistas só pensam em explicá-lo? Em verdade, em verdade vos digo: Só mesmo a palavra dos seres humanos plenos e integrais, feita Política praticada, Útero de afectos, Mesa compartilhada com as inúmeras vítimas que a palavra mortífera do Poder, nos três poderes, a toda a hora produz à escala planetária, cósmica.
23 Setembro 2015

