
Ninguém no-lo diz, muito menos as escolas-universidades do sistema de poder. As igrejas cristãs-religiões, tão pouco. Os partidos políticos, incluídos os que orgulhosamente se assumem como Oposição aos do “arco da governação”, também não. Não que cada um dos seus dirigentes seja mau, traidor à causa das vítimas produzidas em série. O problema não é de indivíduos, maus, bons, ou assim-assim. É do sistema de poder. Ou caímos na conta de que já nascemos no sistema de poder e que a sua ideologia-teologia nos é alojada na mente por todos os meios e mais um, como um demónio, ou corremos o risco de sermos-vivermos-morrermos politicamente ingénuos, ainda que, individualmente, muito boas pessoas, porventura, muito generosas, até militantes a roçar pelo fanático. Não é cada pessoa individual que é má. Má, intrinsecamente má, é a ideologia-teologia do poder. Neste particular, ninguém me pode acusar ou sequer insinuar de ser um infiltrado do poder, que trabalho para ele, só por ser-viver-escrever-dizer o que sou-vivo-escrevo-digo. O ostracismo a que sou ostensivamente votado pelo poder e seus agentes históricos, da proa à base, é a prova provada de que me vêem-têm como um inimigo, já irrecuperável. Felizmente, o tempo da ingenuidade política em mim há muito que se foi. O presbítero-jornalista que hoje sou, ama-se, ou odeia-se-ignora-se. A maior tragédia é que a ideologia-teologia do poder faz mudos, quantos vivem possuídos por ela. Não que eles não falem. Falam e muito, sobretudo, se doutores e quejandos. Só que tudo o que dizem-escrevem não é deles. Simplesmente, reproduzem o discurso do poder, versão esquerda ou direita. Os seus viveres diários de pequeno, médio ou grande Privilégio estão aí a gritá-lo. Quem nos pode então libertar da ideologia-teologia do poder? Só mesmo cada uma, cada um de nós. O preço a pagar por tal ousadia-rebeldia política é elevadíssimo. Poucas, poucos se dispõem a pagá-lo!
25 de Setembro 2015
