NA CINEMATECA: CICLO DE HISTÓRIAS DO CINEMA:CYRIL NEYRAT / JEAN-LUC GODARD, DE 28 DE SETEMBRO A 2 DE OUTUBRO

Cyril Neyrat é crítico, programador e professor de cinema. Estudou ciências políticas e cinema e ensinou estética e história do cinema em Paris VII, Paris III e na escola de arte e design de Genève. Foi editor e membro do comité de redação das revistas francesas Vertigo e Cahiers du Cinéma e dirige as edições Independencia. Como programador, trabalha com festivais de cinema como o FID Marseille e a Viennale e tem colaborado com a Cinemateca nos últimos anos através da sua ligação ao programa “O Cinema à Volta de Cinco Artes, Cinco Artes à Volta do Cinema”, no contexto do Festival Temps d’Images, acompanhando em Lisboa várias das diversas edições realizadas na Cinemateca como programador e autor de textos publicados em português nos respetivos catálogos. É autor de uma monografia sobre François Truffaut (ed. Cahiers du cinéma), de livros de entrevistas com Pedro Costa (publicado em português pela Orfeu Negro e a Midas Filmes: Um Melro Dourado, Um Ramo de Flores, Uma Colher de Prata), Miguel Gomes, Jean-Claude Rousseau, Albert Serra (ed. Capricci) ou Pierre Creton (ed. Independencia), para além de inúmeros textos publicados em obras coletivas e catálogos. Dirigiu, com Philippe Lafosse, a edição dos escritos de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet (ed. Independencia). Tem estudado particularmente as obras de Carmelo Bene, Jean-Daniel Pollet, Pier Paolo Pasolini e Jean-Luc Godard.

Jean-Luc Godard, é sabido, alimentado na cinefilia pura e dura da cinemateca francesa de Henri Langlois, começou a “dar-nos trabalho” como “jovem turco” nas páginas do início amarelo dos Cahiers du Cinéma em 1950, estreando-se cinco anos depois como realizador (UNE FEMME COQUETTE), outros tantos antes de À BOUT DE SOUFFLE. Incomparável tem sido ao longo de mais de cem filmes (curtas, muito curtas e longas-metragens, mais ou menos “categorizáveis”, frequentemente assombrosamente “inclassificáveis”) no curso de mais de seis décadas que somam e seguem em pujança com FILM SOCIALISME e ADIEU AU LANGAGE (2010/2014, as mais recentes longas). Na autobiografia de 1998, Jean-Luc Godard par Jean-Luc Godard (ed. Cahiers du cinéma, coordenada por Alain Bergala), foi ele quem propôs como capítulos da sua filmografia até esse momento “os anos Karina (1960-67)”, “os anos Mao (1968-74)”, “os anos vídeo (1975-1980)”, “os anos entre o céu e a terra (1980-88)”, “os anos memória (1988-1998)”, onde cabem a Nouvelle Vague, a militância política, o encontro com Jean-Pierre Gorin e a experiência coletiva do Grupo Dziga Vertov, o trabalho com a tecnologia do vídeo, o início da colaboração com Anne-Marie Miéville no estúdio Sonimage de Grenoble, na Suíça, onde nasceu, o monumental empreendimento das HISTOIRE(S) DU CINÉMA composto de associações e sobreposições viscerais de elementos, matérias, referências, atravessadas pela ideia – e o aforismo – “montagem, minha bela inquietação”. Foi nele que explorou no limite preocupações que continuam a ocupá-lo, refletindo sobre o próprio cinema, sobre a História e sobre o século XX, a “única história” e “todas as histórias”. No século XXI (ÉLOGE DE L’AMOUR, NOTRE MUSIQUE, FILM SOCIALISME, ADIEU AU LANGAGE…) JLG continua, ágil, a reinventar-se, simultaneamente (re)inventando as novas possibilidades digitais do cinema como um dos mais singulares e seminais realizadores de cinema que é. Na Cinemateca, as duas grandes retrospetivas da sua obra realizaram-se em 1985 (integral, até JE VOUS SALUE MARIE) e em 1999 (com os filmes realizados entre 1985 e 1999). A última teve lugar em 2011 e chamou-se “Elogio de Jean-Luc Godard”.

godard
Como rubrica regular de programação as “Histórias do Cinema” assentam na ideia de um binómio, para cinco tardes e em torno de cinco filmes (ou em cinco sessões, com número variável de obras projetadas): dum lado, um investigador de cinema – historiador, crítico, ensaísta, podendo também tratar-se de realizador ou técnico, por exemplo; de outro, um autor ou um tema histórico abordado pelo primeiro. O investigador discorre e conversa sobre o tema numa sequência de encontros que são antes de mais pensados como uma experiência cumulativa.

sessões-conferência | apresentadas e comentadas por Cyril Neyrat, em inglês

excepcionalmente esta rubrica decorre entre o final de Setembro e o início de Outubro

INFORMAÇÃO SOBRE AS SESSÕES E VENDA ANTECIPADA DE BILHETES
Para esta rubrica, a Cinemateca propõe um regime de venda de bilhetes específico, fazendo um preço especial e dando prioridade a quem deseje seguir o conjunto das sessões. Assim, quem deseje seguir todas as sessões (venda exclusiva para a totalidade das sessões, máximo de duas coleções por pessoa) poderá comprar antecipadamente a sua entrada pelo preço global de € 22 (Estudantes, Cartão Jovem, Maiores de 65 anos, Reformados: € 12 – Amigos da Cinemateca, Estudantes Cinema, Desempregados: € 10) entre 21 e 26 de setembro. Os lugares que não tenham sido vendidos serão depois disponibilizados através do normal sistema de venda no próprio dia de cada sessão, no horário de bilheteira habitual e de acordo com o preço específico destas sessões, € 5 (Estudantes, Cartão Jovem, Maiores de 65 anos, Reformados: € 3 – Amigos da Cinemateca, Estudantes Cinema, Desempregados: € 2,60).

 28-09-2015, 18H00 | SALA LUÍS DE PINA

Ciclo Histórias do Cinema:Cyril Neyrat / Jean-Luc Godard

VIVRE SA VIE – VIVER A SUA VIDA de Jean-Luc Godard

França, 1962 – 82 min

 29-09-2015, 18H00 | SALA LUÍS DE PINA

Ciclo Histórias do Cinema:Cyril Neyrat / Jean-Luc Godard

VLADIMIR ET ROSA de Grupo Dziga Vertov

França, Alemanha, Estados Unidos, 1970 – 92 min

30-09-2015, 18H00 | SALA LUÍS DE PINA

Ciclo Histórias do Cinema:Cyril Neyrat / Jean-Luc Godard

PUISSANCE DE LA PAROLE | ICI ET AILLEURS

01-10-2015, 18H00 | SALA LUÍS DE PINA

Ciclo Histórias do Cinema:Cyril Neyrat / Jean-Luc Godard

PASSION | SCÉNARIO DU FILM PASSION

02-10-2015, 18H00 | SALA LUÍS DE PINA

Ciclo Histórias do Cinema:Cyril Neyrat / Jean-Luc Godard

ALLEMAGNE NEUF ZÉRO | HISTOIRE(S) DU CINÉMA 3A LA MONNAIE DE L’ABSOLU | HISTOIRE(S) DU CINÉMA 3B UNE VAGUE NOUVELLE

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