FRATERNIZAR – Bispo do Porto em Roma – por Mário de Oliveira

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OUVIR CRISTO E SUAS IGREJAS, OU OS SERES HUMANOS E OS POVOS?
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“Não é possível amar a Cristo, sem amar a Igreja, não é possível ouvir Cristo, sem ouvir a Igreja, não é possível ser de Cristo e pretendermos viver fora da Igreja”. Surpreendidas, surpreendidos com semelhante linguagem dogmática, neste início do terceiro milénio? Pensam que são palavras de algum daqueles teólogos da baixa Idade Média, S. Cipriano ou Santo. Agostinho, por exemplo, logo canonizados pela igreja católica romana? Desenganem-se. São palavras do actual Bispo do Porto. Proferiu-as, recentemente, na homilia da missa – tinha de ser uma homilia de missa, onde não há direito ao contraditório, para lá de um ostensivo virar as costas ao altar e sair mais ou menos ruidosamente pela porta dos fundos – a que presidiu na basílica de Santa Maria Maior em Roma, num dos dias da visita “ad limina”. Assim mesmo, basílica de Santa Maria Maior em Roma, onde cada bispo residencial se sente um pouco papa.  A agência Ecclesia, sempre subserviente com os seus patrões-bispos, não deixou escapar o facto e registou-o para memória presente, já que elas valem como um recado do bispo António Francisco a diocesanos seus, com os quais tem revelado mais dificuldade em lidar-dialogar olhos nos olhos. O que se lamenta, já que, assim, só agrava ainda mais as querelas que institucionalmente mantém com seres humanos de carne e osso, aos quais deve amar incondicionalmente, quaisquer que sejam as suas divergências ideológicas e teológicas. Até porque os seres humanos, independentemente das ideologias-teologias que nos unem nas diferenças, não nos unanimismos, somos todos, filhas, filhos muito amados de Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu e que se nos dá historicamente a conhecer em Jesus, o filho de Maria, não em Cristo, o filho de David.

Desenganem-se os bispos residenciais – Bispo de Roma, incluído, desgraçadamente “comido” pelo papado, a negação do Bispo da igreja-movimento de Jesus – quando pensam-e-pregam que, fora da igreja católica, romana não há salvação. A verdade é que há, porque Deus, o de Jesus, tal como o próprio Jesus dos 4 Evangelhos em 5 volumes , hoje, Jesus Séc. XXI, não fazem acepção de pessoas, como a igreja cristã católica romana e todas as igrejas cristãs protestantes fazem. Aliás, em Jesus Nazaré, crucificado pelos sumos sacerdotes do templo de Jerusalém, a cidade santa, aos quais se juntaram os Doze “apóstolos”, dos quais os bispos, para sua vergonha, se dizem seus sucessores, Deus nunca nos é testemunhado por Jesus, como o criador da igreja católica romana, nem de nenhuma outra igreja ou religião. Já todos os povos da terra, sem discriminação alguma, são povos de Deus e Deus é de todos os povos da terra, mais íntimo a cada um de nós do que nós próprios. Aliás, nestas coisas substantivas, como a realização plena e integral dos seres humanos e dos povos de todas as nações, as igrejas e as religiões só atrapalhem. Não são parte da solução, são problema. O problema.

Cabe aos bispos, se quiserem ser bispos da igreja-movimento de Jesus, escutar os povos da terra, a terra, toda a criação. Em lugar de escutar os dogmas, as leis, os códigos das respectivas igrejas. Ou são bispos da humanidade, sem discriminações entre cristãos e não cristãos – sublinhe-se com oportunidade que os cristãos são criação dos cristianismos, não são criação de Deus, o de Jesus, nem de Jesus – ou é melhor que renunciem a esses cargos de desumanização da sociedade e sejam seres humanos, simplesmente. Disponíveis para partilhar a Mesa com todos, a começar pelos que eles, enquanto bispos residenciais, têm como incómodos, fora do seu redil. Se não conseguem ver as coisas assim, tanto pior. São cegos e guias cegos. Confundem quantas, quantos lhes são incómodos, como réprobos a evitar, em lugar de verem neles irmãos a amar, a frequentar, a escutar, inclusive, a deixar-se evangelizar por eles. Jesus é o primeiro a dar o exemplo, porque recusa identificar o povo de Deus com o povo judeu do qual é membro por nascimento e sangue. Povo de Deus, para Jesus, são todos os povos da terra. Ou, então, Deus é um ídolo criado à medida das nossas ambições, dos nossos medos, das nossas inseguranças.

O que o bispo do Porto diz nesta homilia da missa na basílica de Santa Maria Maior em Roma – mas que monstruosidade é esta, assim designada, em detrimento da humanidade, dos seres humanos e dos povos?! – é uma aberração teológica e um atentado ao mais alto nível contra Deus, o de Jesus e contra a Fé, a de Jesus. Urge sublinhar, por mais que os ouvidos dos bispos residenciais se zanguem, que, em última instância, nem há Cristo, nem há igreja. Há simplesmente humanidade constituída por múltiplos povos, linguas e culturas. Há seres humanos concretos e povos, historicamente situados. Ou nos salvamos todos, ou nos perdemos todos. Ou nos ouvimos e amamos uns aos outros, ou perecemos todos. Não se trata de sermos de Cristo nem de vivermos dentro da igreja. Trata-de sermos seres humanos e povos e de vivermos dentro da humanidade sobre a terra.

O bispo do Porto, assim como o bispo de Roma-papa, têm de deixar de o ser, para serem seres humanos bispos entre os demais e com os demais. O que vai além deste denominador comum, é pecado, por mais que se vista de santo e se diga de Deus. Só pode ser um deus projectado, inventado pelo institucional contra os seres humanos. Não os escuta, dá-lhes ordens. Não partilha com eles a mesma Mesa, cria altares e protocolos por trás dos quais se defende dos seres humanos, nas suas fecundas diferenças. Por isso, uma monstruosidade que, para cúmulo, se faz passar pelo que há de melhor e de mais nobre sobre a terra. Para desgraça dos que aceitam protagonizat tais aberrações dentro da história.

Meu querido irmão António Francisco, bispo: Vê aonde já te tevou essa ideologia-teologia cristã com que te formataram e à qual te manténs fiel. É um demónio que te desvia de ti próprio, nascido de mulher, por isso, fragilidade humana que historicamente só subsiste na comunhão-relação com os demais, a começar pelos que tens como mais afastados dessa tua ideologia-teologia, a mesma que te consagra como um dos filhos do Poder e do Privilégio sobre os demais. É de todo impossível para ti, nessa condição, nesse estatuto de bispo-poder, em lugar de bispo humano entre humanos e com eles, enxergares as filhas, os filhos de mulher, as fragilidades que somos todas, todos, os que não somos Poder nem Privilégio. Desviado de ti próprio e impedido de veres-escutares as filhas, os filhos de mulher, ficas perdido, sem chão, quando mais parece que te encontraste. O Poder e o Privilégio matam o Humano que somos, promovem o Inumano que eles são. Desiste, meu querido irmão bispo, dessas coisas. Olha que elas são o que há de mais insensato. Veste-te, antes, com a simplicidade-fragilidade dos lírios do campo e a alegria das aves do céu. E apresenta-te, assim, à porta de quantas, quantos, tu tens como fora da igreja, que não da humanidade. Verás, então, quanto são humanos dentro da humanidade. Verás igualmente quanto tens perdido por viveres fora da humanidade, por isso, fora de Jesus que nunca foi cristão, nem nunca aceitou que fizessem dele o Cristo, como os Doze “apóstolos” que o traíram, acabaram por fazer, após a sua morte crucificada. Para seu mal e mal da humanidade cada vez mais dividida e fracturada pelo Poder e o Privilégio. Nos quais tu, como bispo-poder-e-privilégio, te incluis. Quando deverias ser simplesmente bispo-humano entre os seres humanos e com eles.​

1 Comment

  1. ….” Urge sublinhar, por mais que os ouvidos dos bispos residenciais se zanguem, que, em última instância, nem há Cristo, nem há igreja. Há simplesmente humanidade constituída por múltiplos povos, linguas e culturas. Há seres humanos concretos e povos, historicamente situados. Ou nos salvamos todos, ou nos perdemos todos. Ou nos ouvimos e amamos uns aos outros, ou perecemos todos. Não se trata de sermos de Cristo nem de vivermos dentro da igreja. Trata-de sermos seres humanos e povos e de vivermos dentro da humanidade sobre a terra.” Bravo! Maria

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