VÃO VOTAR por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Amanhã os portuguesas e os portugueses vão votar para a Assembleia da República.

Para as pessoas, que têm menos de 41 anos, o acto de votar não terá o mesmo sentimento que tem para as pessoas que em 1975, ano das primeiras eleições após a Ditadura, tinha 18 anos.

Os sentimentos não se podem comparar, quem tinha mais de 18 anos em 1975 sabe bem, apesar de muitas desilusões, o que é pôr o voto na urna livremente, expressando a sua vontade política.

Cada boletim de voto é uma homenagem a todos quantos lutaram para que todo um povo não tivesse medo de dizer “chega”.

Depois da cruzinha posta, fica no ar a pergunta “Quem vai ganhar?”

Custa-me ouvir falar das eleições como se fosse um jogo de quem ganha e de quem perde. Nas eleições ninguém ganha nem ninguém perde a não ser o Povo.

O Povo votará de acordo com as suas convicções políticas, ou porque quer muito que o governo actual saia e opta pelo voto útil ou, ainda, vota naqueles com quem mais se identifica. Ou não vota, ou vota em branco ou anula o boletim de voto.

Em 1975, 91% da população foi votar. Em 2006 e em 2011, 59% (aproximadamente) foi votar.

Desde 1975 (ano das primeiras eleições livres) que a percentagem da abstenção tem vindo a subir, a percentagem média das pessoas que não vão votar é de 42% ,aproximadamente.

Quando se diz que as eleições são livres, paremos um pouco para pensar se o povo vota nos presidentes dos partidos ou no programa que apresentam durante a campanha eleitoral?

O que é que cada força política elegeu como prioritário? como o vai fazer?

Saberá o cidadão anónimo responder a estas três perguntas?

Será que os professores e os sindicatos sabem os diversos programas dos partidos que estão na Assembleia? e os das forças políticas que não têm voz na comunicação social porque “são ainda pequenos”?

Veja-se o que aconteceu à Educação com o ministro Nuno Crato. Era suficiente tê-lo ouvido,  no programa ” Plano Inclinado”, para perceber o que ele tencionava fazer com a sua concepção neoliberal de sociedade. O que ele dizia foi o que fez!

Como podem ser livres as eleições com um Povo desinteressado da política? com falta de informação? A informação a que tem acesso é difundida com palavras e gestos adequados a quem discursa, só é transmitido o que interessa, da venda da TAP, o Novo Banco… só sabemos que há gente muito corrupta, e depois o que acontece?

Eu vou fazer, o que só pude fazer, depois da Revolução dos Cravos! Votar! Para que todas as forças políticas, com e sem  assento na Assembleia possam ser ouvidas por todos, votar por uma sociedade inclusiva, houve quem fizesse a sua campanha televisiva com legendas, outros com linguagem gestual. Quem o fez é porque quer incluir todos os cidadãos, para que todos possam votar com mais conhecimento.

Não é esta a democracia que eu queria.

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