BONECAS DO SUDOENTES DE ANGOLA, UM LIVRO DE INÊS PONTE por Clara Castilho

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A presente publicação acompanha o núcleo «A Brincar e Já a Sério. Bonecas do Sudoeste de Angola» da exposição permanente do Museu Nacional de Etnologia.

Trata-se de uma coleção constituída por oitenta e três bonecas diferentes (18 kwanyama okana; 2 kwanyama corpo; 19 Carolo de milho; 42 Tronco; 2 Mwila barro) resultantes de diversos grupos culturais. As bonecas desta região começaram a ser recolhidas, numa fase inicial, por missionários, administradores, exploradores, aventureiros e, posteriormente, por etnógrafos treinados e antropólogos. São assinaladas por uma esfera feminina, infantil e ritual, sendo que algumas são amuletos de fecundidade, usadas por mulheres e raparigas em busca da concretização da maternidade, e outras são brinquedos de menina.

bonecas de angola

Há diversos tipos de bonecas, como explica o livro e se pode apreciar visitando o Museu. Há as Bonecas kwanyama okana (18), as Bonecas kwanyama corpo (2), as Bonecas carolo de milho (19), as Bonecas tronco (42) e as Bonecas mwila barro (2).

bonecas de angola conjunto

Inês Ponte é licenciada em Antropologia (ISCTE-IUL, 2003), tem uma pós-graduação em realização de documentário (Universidade Lusófona, 2005), e está presentemente a desenvolver a sua tese de doutoramento em Antropologia Social com meios visuais (Bolseira da FCT, Universidade de Manchester, Reino Unido). Trabalhou como investigadora em contextos etnográficos (Brasil) e em contextos museológicos, nomeadamente no Museu Nacional de Etnologia, com estudos de coleção. Também trabalhou como editora (vídeo), operadora de câmara, assistente de produção e apoio à escrita em projetos de documentário em Portugal e na Índia. Recentemente, foi formadora no curso de verão em documentário do Granada Centre for Visual Anthropology (Manchester, 2013.

Retiramos do livro:

“Acabaremos com um breve comentário sobre a função destas bonecas. A ideia de brinquedo é maioritariamente dada por missionários (Lang para as bonecas de carolo de milho, Estermann para as tronco), logo seguida de uma associação à ideia de fecundidade. A conceção destes objetos como ritual, ou seja, amuleto de fecundidade, tende a ser dada por etnólogos, como por exemplo, Marie-Louise Bastin e António Carreira. Cameron (2000:148) harmoniza a questão pela vertente lúdica de aprendizagem da maternidade, refletindo que as bonecas cumpriam um duplo papel relativamente à socialização de uma rapariga: simbolizavam os filhos futuros e assumiam a forma de mulheres adultas  em vestes cerimoniais.”

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