Andam, há milénios, a tentar convencer-nos de que não podemos viver sem pão. Todo o ser-viver dos seres humanos rodopia à procura do pão. Não o pão nosso de cada dia, como sublinha sabiamente o Projecto-Programa político maiêutico de Jesus, o filho de Maria. Mas o pão de cada um. No máximo, de cada família nuclear, pai, mãe, um ou dois filhos. Vai daí – reza a história dos povos – os sem-escrúpulos políticos atiram-se de cabeça à tarefa de amontoar-concentrar riqueza, na convicção de que, assim, garantem a sua própria vida e a dos seus. Perdem-na. Sobretudo, perdem a própria alma-identidade. Nunca fomos capazes de pensar-projectar-concretizar uma sociedade de povos em que a pedra angular, sem a qual não há o pão nosso de cada dia para todos os povos, seja este primeiro princípio: – Tudo o que o planeta dispõe e tudo o que nele se produz, é de todos, segundo as reais necessidades de cada um. Ignorada esta pedra angular, não há sequer seres humanos, povos. Há minorias que açambarcam-acumulam-concentram tudo, enquanto a esmagadora maioria da Humanidade definha e morre antes de tempo, depois de um curto viver de dores e de horrores. Tudo é diferente se escutamos, em cada geração, a grande Pergunta humana, Podemos ser-viver sem poemas? Reiteradamente lembrada esta Pergunta em todos os parlamentos das nações, em todas as escolas, dos infantários às universidades, nunca mais o pão nosso de cada dia falta nas mesas de todos os seres humanos e povos da terra. As igrejas dos sacerdotes e dos pastores, mai-las religiões, detestam os poemas, à semelhança do seu deus, o Dinheiro. E, com as igrejas-religiões, também os seus filhos dilectos – os parlamentos das nações e as escolas, dos infantários às universidades, adoradoras, adoradores do mesmo deus, o Dinheiro. Só os poemas salvam os seres humanos e os povos. Aqueles poemas que os seres humanos e os povos trazemos amordaçados dentro de nós. Demo-los à luz, pratiquemo-los e somos-vivemos em plenitude.
23 Outubro 2015

