Surgiu ao Museu Nacional de Arte Antiga a oportunidade imperdível de integrar no seu acervo – ao lado do cartão final e dos desenhos preparatórios, que já fazem parte da sua colecção – a pintura “A Adoração dos Magos”, uma peça fundamental do património nacional. Mas, para adquirir esta obra, o MNAA precisa de contar com o empenho e a participação de todos. O Museu convida, por isso, os portugueses a patrocinar “A Adoração dos Magos” e a pôr o Sequeira no lugar certo. A iniciativa visa reunir 600 mil euros para comprar a tela ao proprietário privado.
Em Portugal, a iniciativa é inédita, mas habitual em países como os Estados Unidos, a França, ou o Reino Unido, onde a primeira campanha no género foi feita em 1906.
O MNAA tem no seu acervo cerca de 30 obras em pintura e desenho de Domingos Sequeira, cujo trabalho realizado nas primeiras décadas do século XIX se encontrava no “umbral da modernidade”, entre o Classicismo e o Romantismo, de um modo similar a Francisco de Goya, seu contemporâneo na cultura espanhola.
Para a divulgar a campanha – que conta, entre outros, com o apoio da Fundação Millennium BCP e de alguns media, como o jornal Público e a RTP – o museu reuniu informação em sequeira.publico.pt.
Domingos António de Sequeira (Lisboa, 1768 – Roma, 1837) consegue, graças à precoce revelação do seu talento, proteção aristocrática e uma bolsa para aperfeiçoar a sua arte em Roma. Privou com os melhores mestres, obtendo prémios académicos. Com duas estadias em Paris, onde é distinguido no Salon de 1824, regressa a Roma, reencontrando o reconhecimento dos seus pares do meio artístico. Aí se dedica à notável série de quatro pinturas religiosas que constituem o zénite da sua carreira e que exprimem a liberdade do seu génio criativo: um extraordinário testamento artístico no qual sobressai “A Adoração dos Magos”.
Domingos António Sequeira A Adoração dos Magos – 1828
Óleo sobre tela – 100 x 140 cm
Coleção particular
Pela prodigiosa modelação das figuras e da luz, e pela estrutura da composição, “A Adoração dos Magos” é, como já em 1837 afirmava um académico romano, um absoluto capolavoro, uma obra-prima. Trata-se de uma obra visionária que evidencia uma marca essencial do estilo do pintor: a sua enorme capacidade de síntese entre o clássico e o romântico.