Pelos vistos, continuamos convencidos de que o país tem de ter um presidente. Nem os dois desastrados mandatos do presidente Aníbal nos convenceram do seu total absurdo. Se os outros povos têm um Estado, e este um chefe, também nós temos de ter. Nem que este venha a revelar-se o principal problema institucional do país. Damo-nos, inclusive, ao trabalho de ir depositar o nosso voto nas urnas do dito. Com o Aníbal, o país viveu os primeiros anos do terceiro milénio como nos sinistros tempos do fascismo. E logo que conseguiu pôr o seu PSD a governar, com maioria absoluta no Parlamento, foi o seu fiel lacaio, a fazer lembrar o famigerado Américo Thomaz. Foi ainda mais absurdo político do que aquele. Rodeou-se de uma corte que rivalizou com a do Rei Sol, antes da Revolução Francesa. Cercado de assessores por todos os lados, menos por um, precisamente, o da Cultura. Um assessor de Cultura seria um perigo para o próprio presidente Aníbal e para o seu governo CDS-PSD que cultivou o analfabetismo escolarizado e atirou borda-fora quantas, quantos das novas gerações atreveram-se a crescer em engenho e arte, conhecimento científico e filosófico, medicina e enfermagem de qualidade, economia e finanças ao serviço das populações em vez de ao serviço dos banqueiros. Viram-se assim obrigados a ir dar o seu melhor no estrangeiro. Vêm agora em seu lugar levas de refugiados, com saudades dos seus países dilacerados por guerras fratricidas e sistematicamente bombardeados pelos aviões da Nato. O país conhece, nesta altura, um novo governo, apoiado à esquerda no Parlamento, e vai ter de se habituar a um novo Presidente da República. Qual a senhora, o senhor que se segue? Mais um PSD, como o Aníbal, só que muito mais perito em malabarismos e em criar factos políticos, charlatão e sacristão católico q.b., ou alguém politicamente culto que escute e interprete os anseios das populações, há séculos, mergulhadas e perdidas no nevoeiro e no cinzentismo cristão eclesiástico? Há candidatos à medida dos interesses de cada partido. Às populações, resta votar. Ou recorrer à gritante abstenção. Que prevaleça a consciência de cada uma, cada um de nós. Mas já somos populações com consciência política, ou ainda só rebanhos que executam as ordens dos mercenários do poder político?
16 Dezembro 2015
https://www.youtube.com/watch?v=M4hp3Um0vyE

