Um dos nossos cavalos de batalha tem sido desde o primeiro dia o da defesa da independência da Catalunha, do País Basco, da Galiza…- em suma, o da aniquilação do «iberismo castelhanista» que propugna um Estado com capital no centro geodésico da Península.
É óbvio que em Portugal a ideia não colhe simpatia e os governos que têm passado por Madrid, de esquerda, de direita, monárquicos, republicanos, sempre têm respeitado a soberania portuguesa – embora perdure a questão de Olivença; porém, neste pormenor as culpas cabem exclusivamente a Portugal que, praticando uma diplomacia cobarde, não aborda o problema e entende que a pequenez do território, roubado durante a ridícula «guerra das laranjas», não justifica criar um conflito internacional com um estado vizinho.
Mas temos plena consciência da complexidade do problema da Catalunha – não podemos dividir, como nos filmes de índios e cow-boys, os catalães entre «bons» e «maus» em função da sua posição face ao problema da independência – há espanholistas de esquerda, independentistas de direita; há catalães que ficarão arruinados com a independência, pois perderão um mercado onde deixarão de ter protecção, há catalães que, fora da tutela centralista, expandirão os seus negócios. Há quem apenas aspire a uma independência cultural e à prevalência do catalão – coisa que já acontece e que satisfaz plenamente uma parte da população. É um xadrez complexo.
No Portugal de 1640, o asco à presença castelhana estava generalizado, mas foi só quando os interesses dos poderosos foram afectados que a revolução eclodiu.-De uma coisa não pode duvidar-se: os catalães, na sua esmagadora maioria, querem a independência. Mas sabemos que, em democracia, mandam as maiorias – cada cidadão um voto e que todos são iguais. Porém, como dizia, George Orwell, um amigo da Catalunha, «uns são mais iguais do que outros.
