A COLUNA DE OCTOPUS – A SUBALTERNIZAÇÃO DAS MULHERES NAS RELIGIÕES

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A SUBALTERNIZAÇÃO DAS MULHERES NAS RELIGIÕES

Sejamos honestos, a mulher na pré-história pouco se diferenciava dos outros animais, era um receptáculo de fecundidade para as gerações vindouras, para perpetuar a espécie, como o fazem os outros animais.

De um lado tínhamos o homem forte caçador e do outro a mulher fraca e submissa colhedora que devia ocupar-se da sua progenituria.

As coisas pouco mudarem na História (a escrita) com raras excepções como no Egipto em que algumas mulheres chegaram ao poder, mas na maioria das civilizações foram sempre relegadas a um papel secundário.

Pior que isto, as mulheres sempre foram acusadas de todos os males nas sociedades em que estavam inseridas. Nas crenças animistas e mais tarde nas politeístas sempre foram responsáveis por tudo o que de mal acontecia e muitas delas vitimadas em nome dessas crenças.

Judaísmo

Passam os séculos, e aparece a primeira religião monoteísta: o judaismo. Essa religião tem a novidade de considerar a mulher como fazendo parte da sociedade e de não ser apenas considerada como o um objecto sem alma. Continua um “objecto” mas já tem ama. Não deixa de ser, no entanto, inferior ao homem.

Todo o indivíduo de sexo masculino tem de fazer três orações por dia para agradecer Deus de ter feito dele um israelita, de não o ter feito nascer mulher ou de não ter feito dele um rústico” (Talmude, Men.43b)

Cristianismo

Depois, vem um Messias que se auto-domina falar em nome de deus: Jesus Cristo. Este revela muito boas intenções, sacrifica-se em nome de toda a humanidade e revela compaixão em relação às mulheres. Mas não deixa de as considerar inferiores aos homens em todas as suas actuações.

Mulheres sejam submissas aos vossos maridos assim como ao Senhor, porque o marido é o chefe da mulher. assim como a igreja é submissa em relação ao Cristo, as mulheres devem-no ser em relação ao marido” (Bíblia, Efésios 5:21-25)

Islamismo

Por fim,chegou um última religião monoteísta que revela que mais um iluminado, Maomé, é o verdadeiro Messias. Não deixa de considerar a mulher como subalterna em relação ao homem, não tendo esta qualquer direito no sentido em que actualmente consideramos a igualdade entre homens e mulheres.

Os homens têm autoridade sobre as mulheres, em virtude da preferência que Deus lhes atribuiu sobre elas, a por causa das despesas que eles necessitam para as manter” (Al Corão, Sourate 4:34)

Pode parecer incrível, mas só desde há escassas décadas é que as mulheres, a grande a grande custo de numerosas lutas, obtiveram, em alguns países, direitos cívicos como o de serem simplesmente consideradas como seres humanos, com direito a voto e não estarem assujeitadas aos maridos.

Actualmente, em termos religiosos, a mulher é um ser humano (o que já não é mau), tem vontade própria em relação ao homem (com limitações, claro), não pode exercer o culto e é quase igual ao homem.

Numerosos são os exemplos citados nos três livros de culto monoteísta em que a mulher não é considerada igual ao homem. Temos de compreender que todas estas religiões foram feitas por homens, para  homens, escritas ou transcritas por homens e destinadas a perpetrar o machismo dominante.

Claro que podemos citar excepções, mas não deixam de ser excepções. Portanto para os crítico que dizem que não é bem assim, e que as religiões consideram as mulheres como iguais aos homens, aqui ficam algumas:

“Aceita o meu filho, as regras do pai, e não te esqueças da Torá da tua mãe” (Torá).

“A mulher não tem qualquer autoridade sobre o seu corpo, é o marido; igualmente o marido não tem qualquer autoridade sobre o seu corpo, pertence à mulher” (Bíblia)

“O homem é uma cobertura para o marido; igualmente a mulher é uma cobertura para o homem” (Corão)

3 Comments

  1. É muito mais complexo do que isto. A antropologia mostra, através da Psicanálise, que TODAS as Instituições sociais (religião, ritual, caça, guerra, rituais de iniciação, homossexualidade ritual, casas dos homens, comércio, navegação ritual, filosofia, ‘Liceu’, Tribunais e Polícias, Banca, Igrejas, Maçonarias, serviço militar obrigatório, etc.) foram produzidas pelos Homens, para se defenderem do ascendente emocional das mulheres, que nunca sentiram necessidade de se organizar ou criar Instituições contra os homens, que fugiam delas para saidas para o exterior e lhes deixavam as casas, a agricultura, as plantas curativas, os animais domésticos e os filhos.
    A criação da Cidade-Estado e dos Imperialismos tentou inverter o processo tribal e criar religiões fálicas, de Pais distantes (Jeová, Allah), Senhores Deuses dos Exércitos e dos Impérios urbanos. A Guerra é uma necessidade masculina, para fugir das mulheres da casa e procurar a caça às mulheres dos inimigos: exércitos e Imperialismos foram a nova ferramenta para tirar os filhos de debaixo das saias da Mãe, de virilizar os rapazes (usados como efebos) e escravizar e violar as mulheres dos ‘inimigos’. A emergência das Religiões das Mães, criadas pelas classes pobres, dividiu as Religiões entre Religiões do Pai distante (violentas) e Religiões das Mães (Virgem; Matadjis) e dos seus Filhos sacrificados (Jesus, Ganesha, Xíismo).
    Os curtos períodos erotizados (Tantrismo, na Índia; Panteísmo e Sabbats das Feiticeiras, na Europa; príodo Hyppie,do ‘Make Love not War, na Califórnia do século XX, com o seu ‘Flower Power’) tentaram, sem sucesso, ultrapassar a Guerra dos Sexos, dando origem reactiva a Novos Ascetismos (como o do século XIX, com educação separada).
    O Igualitarismo assexuado é a nova versão dessa tentativa, clivando Trabalho e Erotismo,liquidando as taxas de reprodução e provocando o envelhecimento europeu e a entrada de novas imigrações sunitas, repressivamente fálicas e extremistas. Imigrações islâmicas que reforçam, em espelho, os Puritanismos Norte-americano e Brasileiro, à beira de chegar ao poder (Republicanos; Evangélicos), revertendo o secularismo republicano da Revolução Francesa e introduzindo uma New Age religiosa e ritualizada (até com praxes académicas a substituir a tropa).

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