A LIBERDADE FOI MAL UTILIZADA (CARTA ABERTA DE CARLOS LOURES A VASCO LOURENÇO)

CARTA DE VASCO LOURENÇO

Caras e caros amig@s

Finda a campanha eleitoral para PR, eleito um presidente que não me oferece quaisquer garantias – nunca se sabe o que vai sair na rifa -, resta-nos aceitar, por muito contrariados que o façamos, o resultado do voto democrático. Apesar de não conseguir compreender e confortar-me com os resultados, também foi para isto que se fez o 25 de Abril. A Liberdade foi mal utilizada? Em meu entender, sim! Foi muito mal utilizada! Mas, antes isso do que a falta de liberdade. Por mim, não vou surpreender-me … Afirmo, no entanto, que não gostaria de dizer, no futuro, “eu bem dizia! Agora não se queixem“. Oxalá eu esteja errado e não venha a ter razão! A vós, quero agradecer a colaboração que me deram, divulgando os dados que vos enviei, em defesa da eleição de António Sampaio da Nóvoa. Muito e muito obrigado! Bem hajam! Esta rede de contactos termina aqui. Espero encontrá-l@s no futuro. Vamos andar por aí, não desistimos das causas cívicas.   Cordiais saudações e um abraço Vasco Lourenço 

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CARTAABERTA DE CARLOS LOURES A VASCO LOURENÇO

Valbom, Ericeira, 27 de Janeiro de 2016

Vasco Lourenço, meu Caro Amigo,

A Liberdade que o MFA nos restituiu em, 25 de Abril de 1974, tem sido sempre mal utilizada. Teria tido uma enorme surpresa se Sampaio da Nóvoa tivesse vencido. Um eleitorado que elege um Cavaco Silva e que, ainda que por escassa margem, vota maioritariamente PSD que termina uma legislatura desastrosa, em que os roubos feitos pelos barões da Finança foram pagos com o roubo a quem trabalha ou trabalhou, não vota nunca maioritariamente um partido, coligação ou personalidade de esquerda. Acredito que a maioria dos portugueses é «de esquerda» (embora a definição do conceito de esquerda tudo ganhe em ser devidamente elaborada). Acontece          que o eleitorado de «direita» vai votar (talvez a mesa de voto fique no caminho para a missa…). Não quero entrar em maniqueísmos absolutamente inúteis. O tema é delicado e complexas as explicações – um casal amigo que me veio visitar, gente filiada num partido soi-disant de esquerda, confessou ter votado Marcelo. «Porquê?» perguntei com alguma irritação – «achamos-lhe graça». O meu dever de enfermo anfitrião e a amizade, impediram-me de lhes perguntar por que não foram ao circo. E depois, já sozinho, pensei que «eles foram ao circo» (sem ofensa para os profissionais do espectáculo circense); o sistema «democrático» que nos rege é uma palhaçada (idem). E o Professor Marcelo um clown a que as pessoas acham graça. Não sei se temos uma esquerda» preguiçosa ou se o problema é outro.

Vejamos.

Em 25 de Abril de 1974, o MFA entregou-nos um espaço limpo de ratazanas que fugiram ou se misturaram com as aves livres e de bicos afiados que pareciam dominar o jardim. Muitas das ratazanas mudaram o odioso rosno (?) para um mavioso piu-piu. Parecíamos estar num jardim onde as aves planavam, siavam e essas coisas de que a passarada gosta. As ratazanas, como as aves andavam longe, imaginando-se nos céus de Tirana, Pequim, Moscovo ou Havana, foram-se juntando – piu-piu, piu-piu… Quando as aves quiseram voltar ao jardim, encontram-no ocupado por uma nova espécie avícola – as ratazanas voadoras – ou seja, não voavam, mas chamavam voo às corridas que faziam de esgoto em esgoto. E como quem ganha á que tem razão, passou essa a ser a verdade. Os pássaros ganharam medo a voar – mal um ensaiava um voo, logo era acusado de ser radical. Os que nos ninhos vão saltando de dentro das cascas, nem sequer conhecem o que as ratazanas, no tempo em que se assumiam como tal, faziam aos que tinham asas… E se alguém lhes conta as torturas que a PIDE infligia a quem lutava pela democracia, depressa misturam essa história com a do Martim Moniz que se entalou na porta e morreu para que os seus soldados passassem. Histórias…

Onde quero chegar?

Acho que o conceito de esquerda/direita está esgotado. O papel dos partidos e o dos sindicatos, formas organizativas do proletariado, são do tempo da máquina a vapor e deveriam assumir outro papel – o dos partidos, parece-me ser o de politizar, o de ensinar a voar; o dos sindicatos o de zelar por que não haja ratazanas que vão à boleia de gaivotas. Jean-Jacques Rousseau, há mais de três séculos, fez um levantamento dos vícios da democracia dita representativa. Os deputados, depois de eleitos, representam quem? Os cidadãos que os elegeram? Não. Obedecem à estratégia que secretários-gerais e presidentes, definem. No fundo, a rataria ganhou, sempre dizendo que os pássaros venceram. Piu-piu

A «democracia representativa» representa os poderes fácticos. O marketing político é dominante e ganha eleições quem a comunicação social quiser que ganhe. Marcelo, filho de um ministro de Salazar e afilhado de Caetano, membro de um partido herdeiro da União Nacional e, sobretudo, um comunicador da televisão, ganha porque tem graça, é inteligente e fez uma campanha gizada à medida do eleitorado – a manteiga pura vende menos do que a margarina, «leve, cremosa e estaladiça» que o spot publicitário torna famosa (fica sempre por dizer que é cancerígena).

Os militares do Abril devolveram-nos o nosso jardim. Mais não podiam fazer – matar a rataria, plantar as flores, era connosco. A solução é só essa. Não podemos pedir às Forças Armadas… ou melhor, podemos pedir, mas não exigir. Juraram defender o povo, mas a rataria também é povo e já está integrada nas FA.

Ser democrata, é ser nada.

Não queremos «liberdades», Queremos a LIBERDADE!

Não queremos igualdade de «oportunidades», Queremos JUSTIÇA!

Se democracia é dar a uma ratazana nojenta, a um banqueiro que rouba as economias de trabalhadores, os mesmos direitos que a um cidadão que respeita a comunidade e as suas leis, não queremos democracia.

QUEREMOS REVOLUÇÃO!

Se as FA ajudarem ela será pacífica. Uma nova constituição e decisões tomadas com base em assembleias populares, instituirá uma nova ordem – Abril cumprir-se-á.

Abraço amigo do

Carlos Loures

1 Comment

  1. Carlos Loures, permita-me o entendimento desta sua forma empreendedora de responder a quem se acha um DEUS. A sua resposta é a minha. Está no genesis dos 50% que não foram votar porque se acham enganados pela conjuntura desiquilibrada para que fomos atirados. As FA abriram-nos as portas da liberdade, disse, mas VL disse perante milhões de portugueses que não foi para isto quue fez o 25 de Abril. Será que VL é único e pode comandar os neurónios dos concidadãos, chamando de ignorantes aqueles que votaram MRS e anteriormente CS? Então o que acha VL do conceito de democracia? Eu sei muito bem o que é que quer dizer, venha a nós a vosso reino e os portugueses que se lixem. É isto que VL queria ser pautado de um salvador da Pátria. Porque não se candidatou ele às presidenciais? Teve medo? Ou será que ainda tem num neurónio o zumbido do General camarada comando quando se lhe dirigiu – nem como cabo o queria nas minhas companhias. Ele lá saberia porquê. Os portugueses estão desmotivados. Eu sou um deles. Tenho 4 anos de uma licenciatura incompleta em engenharia mais dois em Direito. Sempre me conheci a trabalhar o que equivale que com 60 anos tenha mais de 40 anos de atividade profissional. Fui militar e passei por uma força de segurança. Trabalhei na EDP e na PT. Se hoje me quiser aposentar, a CGA dá-me 550€. Um camarada que tenha continuado a carreira militar ou policial, tenha exercido as funções num bar da instituição militar ou policial já está aposentado com um valor monetário que ronda os 1400€. Um colega meu que tenha enveredado pela docência, hoje e com as habilitações minimas exigidas, está aposentado com um valor compreendido entre 1500 a 2000€. Porque razão um pedreiro, um barbeiro ou um contínuo da AP, valerá menos que um pedreiro/barbeiro militar ou policial da GNR/PSP para que seja aposentado com um valor aproximado de 50%? Se recuar-mos uns anos atrás temos FP aposentados com 35 anos de serviço e escriturários (obrigatoriedade a 4ª classe) transformados em oficiais administrativos a aposentarem-se com valores compreendidos entre 1000/1200€ e agora pessoas/funcionários da AP a aposentarem-se, com os mesmos 35 anos de serviço com valores CGA/DR com valores que rondam os 350€/600€. Chamar-se- a a isto democracia onde uns têm direitos e outros somente deveres? Será esta a interpretação dos seres tolhidos que não votam nas cores de VL, para que ele no seu pedestal, engorde à nossa custa? Liberdade… falam uns. Liberdade de expressão, falam outros. Direitos humanos…etc Façam uma repercussão memorial daqueles que à meia noite andam de caixote em caixote do lixo à procura de comida e comparar com os esfomeados de há 40 anos atrás onde havia sempre uma côdea de pão para oferecer. Viviamos encarcerados, é uma verdade. Mas passados esses anos uns podem apelidar um PR de palhaço, um PGR de feio e mal-cheiroso e nada lhs acontece. Enquanto outros, por escreverem apenas um mail e dizer que não estão interessados em pactuar com colegas incompetentes são severamente castigados pelo Tribunal com 150 dias de multa/10€, mais as despesas ao Tribunal e indemnizações. Mais não me alongo, terminando: em 28 de abril de 1974, sou ameaçado peelo comandante da minha unidade com presídio militar se em 24 hora não apresentasse o parafuso que desapareceu da FBP. Em 23 de setembro de 1974, em Luanda, sou detido por andar fora da unidade com as calças fora da botas. Em 2010 por discordar das atitudes que me queriam impor submetendo-me a trabalhar com um incompetente e depois de o ter denunciado através de e-mail, sou punido apenas por ter escrito e enviado explicando o porquê da recusa. Em 2008 a PSP invade-me a casa. Tem mandado de busca nas mãos. Levam-me um computador pessoal. Pergunto-lhes porquê e os motivos que os levaram a tal invasão:- é que há indicios de ser eu que falsficava uns documentos que apareceram na esquadra e como no prédio era o único que me queixava do ruído da vizinhança temos que o calar. Adianto que moro num prédio com 20 anos e está sem administração porque o construtor alterou algumas frações, não entrega as chaves nem diz quemsão os moradores. Avisei que isto iria acontecer, mas não me quiseram ouvir. Em 2015 uma neta do construtor acusa-me de andar uma vida inteira a falar mal da construção e mais uma vez fui envolvido no sistema , graças ao arquivamento do processo porque acharam que 20 anos de espera é muito tempo para que uma pessoa se queixe de ser lesada.

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