A dor vai penetrando lenta e docemente na pele de um corpo que passeia desencanto, melancolia, felicidade e alento.
Vai calando o grito que nasceu no basalto quente da ilha com o grito da calçada traiçoeira de Lisboa.
Agarrando a perna frágil que cedeu, mas resistiu, vai abafando a respiração profunda das crateras que a sacudiram quando, pela primeira vez, abriu os olhos.
Vai tolhendo o palpitar de um coração que se quer a esvoaçar sobre o segredo das Lagoas.
Rolaram lágrimas ardentes que ferem a pele, já ferida, que a separa da realidade e de tão dorida, fica à mercê do amor e da amizade dos demais para aplacarem a insatisfação.
Cada passo seu é o sentir de um mundo que gesticula e quer mudar, e cada gesto seu é o querer abarcar o Sol e a Lua, fiéis como as marés, e levar o seu brilho, uma réstia de brilho até ao âmago do seu corpo que escuta o cantar das sereias.
É um olhar, longínquo, abrangente, interior…é um canto doce, salgado e desafinado…
Procura o canto encantatório das baleias.
Refugia-se no Sete-Estrelo.
Mergulha na lava vulcânica e respira saudade…
Não quer o passado nem o futuro, quer o presente cheio de hortências matizadas de azul e de rosa e cheio de cagarras desorientadas a esvoaçar sobre o mar.
A Lua não a vê e ela foge do Sol.
As palavras desencontradas das emoções fá-la dizer coisas de quem não olhou para o lado. Que lado? O da alegria ou o da infelicidade? Dos dois certamente…
Abre a janela do computador e vê pessoas de olhar minguado de tanto sofrimento, é o mal estar pessoal, social e político. Até quando?
Nem quando esta dor passar haverá brilho cintilante nesses rostos.
O Sol perguntou à Lua quando havera amanhecer/………/
e à vista dos olhos teus o que vem o sol cá fazer.
“O Sol quando brilha é para todos. Será?
Aprende a nadar, companheiro/ Que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui / Maré alta / Maré alta/ Maré alta
A liberdade passou, deixou no ar alguma poalha? Quem a quer agarrar?