Decididamente, este tipo de mundo não é local para alguém conceber e dar à luz. Conceber e dar à luz filhas, filhos neste tipo de mundo é o mesmo que condená-los à morte. Poucos meses-anos depois de terem nascido, como é o gritante caso da mãe portuguesa, já separada do companheiro e em guerra aberta com ele, que acaba de entregar as suas duas filhinhas ao mar; ou dezenas de anos depois de um viver na miséria-pobreza-ignorância imposta, a maioria; ou nos privilégios conseguidos à custa de vender a própria alma ao deus Dinheiro, nalguma das suas multinacionais religiosas-cristãs ou laicas, e das suas muitas universidades do Saber, nenhuns afectos, nenhuma Sabedoria, a minoria. Não é esta mãe que leva as próprias filhinhas a morrer no mar que eu condeno, ela própria uma das inúmeras vítimas deste tipo de mundo, todas elas possessas pela Depressão, sem dúvida, o pior dos demónios históricos. Em quem ele entra e se instala, devora-lhe a alma, a saúde mental, os afectos e deixa-o um robot incapaz de escutar os poemas ainda por escrever e de ver-sentir-tocar-gostar-amar-cantar-dançar o belo que é cada ser humano, cada filha-filho, cada povo, cada animal, cada flor, cada estrela. O demónio Depressão é uma criação deste tipo de mundo financeiro, sem qualquer oportunidade para os afectos. Enquanto não for derrubado-substituído por outro, plena e integralmente humano, continua aí impunemente a produzir mares de dores e horrores, demências e outras doenças incuráveis, guerras e terrorismos, minorias todo-poderosas e multidões de súbditos, grandes financeiros e empobrecidos em massa. Quem estiver sem pecado atire a primeira pedra a esta mãe. Todo o Institucional religioso, político armado, financeiro, constitui o que Jesus chama “o Pecado do mundo”. Se atira pedras-anos de cadeia a uma mulher-mãe vítima como esta, não só comete pecado, como ele mesmo é o pecado. Os seus, são, por isso, agentes do Mal, ainda que vistam de sacerdote-pastor, juiz, general, banqueiro condecorados e canonizados. Condenemos, pois, Aquilo que enche de privilégios os seus próprios agentes-dirigentes e leva uma mãe a entregar ao mar as suas duas filhinhas.
19 Fevereiro 2016


Mário Oliveira, parece-me de um extremo dislate vir aproveitar-se do sofrimento de uma Mãe para difundir a sua visão ideológica do Mundo. Não tem instrumentos para analisar este caso, particular e insusceptível da generalização que faz (é um caso psiquiátrico), para repetir o seu discurso ‘biblico-político’. Esta mulher não vai cumprir cadeia porque é fácil, para quem sabe, defendê-la em Tribunal.
Em tudo o resto concordo consigo – é preciso construir um mundo melhor, muito melhor – e é possível quando deitarmos para o lixo os discursos ideológicos (religiosos, marxistas ou outros) e começarmos a unir-nos para resolver problemas reais graves, da pobreza, do machismo, do racismo e da ciganofobia nacional (que exige uma FRENTE UNIDA de acção para que se resolva por meios políticos, para isso é que existe o voto democrático e existem soluções potenciais) ao despotismo político (NATO, CIA, TTIP’s, provocação intencional do mundo árabe, etc.).