EDITORIAL – A LIBERDADE E A INCOMPATIBILIDADE

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O caso de Maria Luís Albuquerque é apenas mais um, entre muitos que têm acontecido entre nós, de pessoas que exercem altos cargos, funções de grande responsabilidade, e quando cessam essas funções, vão trabalhar para entidades onde, eventualmente, em proveito dos novos patrões, poderão tirar partido dos conhecimentos que adquiriram e das influências a que estiveram ligadas, no exercício das novas funções. Infelizmente, a história do nosso país abunda em casos destes. A quem quiser recordar ou aprofundar o passado do nosso país, neste capítulo, recomenda-se que veja (ou reveja) o filme Donos de Portugal, baseado no livro com o mesmo nome. Poderão fazê-lo usando o link abaixo.

Há quem, entre comentadores, políticos e simples cidadãos, conteste que se devam impor restrições aos políticos que deixam os seus cargos, quanto às actividades profissionais que venham exercer na sua vida futura invocando princípios da liberdade individual. Chega-se a afirmar que a simples consideração da hipótese de que o ex-governante (membro do governo, deputado, autarca) poderá utilizar os conhecimentos que adquiriu no exercício das funções que acaba de deixar, em ocupações que exerça a título pessoal ou trabalhando para outras pessoas, individuais ou colectivas, é, pura e simplesmente, uma calúnia. Permitimo-nos chamar a atenção para que a crença na bondade inata da espécie humana tem sido desmentida sistematicamente ao longo da história. E que nestes tempos em que a competitividade tem sido tão exaltada como um valor a ser tido sistematicamente em conta, essa crença anda cada mais na baixa.

Com certeza, que há casos e casos. Há os que, claramente, quando ainda exerciam as suas funções políticas, já estavam a preparar uma reforma de luxo. Outros não chegaram a tanto. O facto é que num mundo com tantos interesses contraditórios, numa época em que se procura abertamente concentrar o poder e os recursos de toda a espécie na mãos de uma minoria, o controlo sobre quem exerce o poder, mesmo quando passou à reforma, é um resguardo indispensável a qualquer forma de democracia, mesmo muito mitigada.

Propomos que acedam a estes links, e recordem:

http://aviagemdosargonautas.net/2012/12/15/vamos-ao-cinema-os-donos-de-portugal/

http://aviagemdosargonautas.net/2015/04/05/leituras-alternativas-por-octopus-3/

 

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