EDITORIAL – OS EXCLUÍDOS E A RECUPERAÇÃO ECONÓMICA

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Há alguns anos alguém, terá sido Paul Krugman, se a memória não nos atraiçoa, aventou a hipótese, para relançar a economia da zona euro, de se distribuir um voucher de uma certa importância por cada reformado alemão, que poderia ser gasto nos países do sul da Europa, em situações de turismo. A proposta terá sido feita apenas para ajudar à análise dos efeitos da crise financeira, e, ao que sabemos, ninguém pensou seriamente em aplicá-la. Mas eis que surge agora uma proposta parecida, agora por Wolfgang Münchau, num artigo saído no Diário de Notícias, com o título O Banco Central Europeu deve ser muito mais ousado. Münchau defende o que chama dinheiro de helicóptero, isto é, a distribuição de dinheiro directamente aos cidadãos. Assim a procura aumentaria, os preços subiriam e os fornecedores poderiam investir mais. Contrariar-se-ia a deflação actualmente dominante, que estrangula as hipóteses de crescimento. Münchau reconhece que os governos e o sector financeiro detestariam esta ideia, que lhes passaria ao lado. Nós permitimo-nos considerar que efectivamente detestariam e bloqueariam esta ideia, se alguém pensasse levá-la à prática, porque poria a nu os erros (há quem lhes chame coisas piores, e com razão) que têm cometido, e as graves responsabilidades que muitas personagens proeminentes têm no actual estado de coisas. Propomos que acedam à tradução do artigo saída no Diário de Notícias, pelo primeiro link abaixo.

Na realidade, a deslocação do dinheiro da economia real (onde vivem as pessoas comuns) para a economia fictícia (dão-lhe por vezes outros  nomes, que vão desde mercado secundário, até economia de casino) faz com que a actividade produtiva esteja estrangulada. A precariedade e o desemprego são as duas manifestações mais claras no campo social. A concentração do poder económico em poucas mãos, de pessoas e entidades que gostam de se intitular como privadas, quando pretendem fingir que não têm responsabilidades no que se vai passando, tende a conduzir a sociedade a fracturas profundas entre os vários sectores da sociedade, ficando os mais débeis com muito pouca influência na vida colectiva. É o que reconhecidamente se passa com a faixa etária dos idosos, tão penalizada com os insistentes cortes nas pensões e reformas, e com a dos mais jovens, mantida em situações tendentes à exclusão social, com as dificuldades no chamado mercado de trabalho. Sobre a situação destes últimos no Reino Unido, propomos que cliquem no segundo link abaixo, para poderem aceder a um estudo saído em The Guardian, sobre a situação dos millennials, dos nascidos entre 1980 e 1994, e que portanto agora contam entre 20 e 35 anos.

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/wolfgang-munchau/interior/o-banco-central-europeu-deve-ser-muito-mais-ousado-5064194.html

http://www.theguardian.com/world/2016/mar/07/revealed-30-year-economic-betrayal-dragging-down-generation-y-income

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