Hoje é o dia da liberdade e da democracia. Mais do que nunca importa que os portugueses sintam a importância de valorizar estes direitos. As crises que sobre eles se têm abatido puseram-nos rudemente à prova, nomeadamente nos últimos anos. A adesão à Europa revelou-se um fiasco, e as instituições europeias, escudando-se no cumprimento cego de tratados celebrados sem consulta popular, têm dado um forte contributo para a perda da confiança no futuro. Os governos anteriores optaram por seguir acriticamente os ditames de Bruxelas, e hoje em dia está muito claro que estes ditames pouco têm a ver com os interesses dos cidadãos que os elegeram, e pouco ou nada contribuíram para a melhoria da vida das nações que integram a União Europeia, excepto, talvez em algumas alturas, aquela(s) com maior poder económico e político. A esperança que muitos, à esquerda e à direita, puseram na integração europeia, como garantia de estabilidade política e de melhoria da vida dos portugueses, esfumou-se. E a reforma das instituições europeias é algo que ninguém consegue prever, sequer imaginar, num futuro próximo ou longínquo.
O actual governo português parece querer enveredar por um caminho diferente. Têm apoios para tal a nível interno. O novo presidente da república, nestes tempos iniciais do seu mandato, parece disposto a apoiar (pelo menos, a não contrariar) alterações ao passado recente. Veremos como fará daqui em diante. Mas também a presença dos capitães de Abril no parlamento no dia de hoje nos parece um estímulo importante. Haverá quem desdenhe desta atitude, achando que nada vale. Haverá mesmo quem a condene abertamente. Contudo, eles continuam a ser para muitos um símbolo da liberdade e da democracia, cujo exercício é imprescindível para que o nosso país consiga inverter a espiral de decadência que lhe foi imposta. Sem atingir esse objectivo a curto prazo, dificilmente a vida dos portugueses melhorará e será a própria sobrevivência do país que estará em risco.