Os melhores resultados nos exames nacionais verificam-se nas escolas privadas e financiadas pelo Estado, ou seja, nas escolas que beneficiam dos impostos pagos por todos quantos têm os filhos nas Escolas Públicas…
Mas os portugueses estão de parabéns, pelo ensino das Escolas Públicas, pelos sucessos, em termos relativos, com as escolas privadas. Todos os relatórios referem a melhoria do ensino em Portugal apesar de ainda haver muito caminho a percorrer.
É preciso não esquecer que as Escolas Públicas têm as portas abertas, as carteiras vazias para receber os alunos sejam eles de que etnia, nacionalidade, religião, género forem; têm as portas abertas das salas de aulas para os meninos e para as meninas com necessidades educativas especiais; têm as escolas abertas para as crianças que se encontram em abandono escolar, em insucesso escolar, para as crianças maltratadas vítimas de violências várias. As Escolas Públicas estudam ainda a melhor maneira de viverem em cidadania, estudam a melhor maneira de serem escolas inclusivas.
Tudo isto tem sido reflectido e posto em prática, com muita dificuldade, em parte pela falta de recursos humanos, pela indisciplina nos recreios que se transfere para a sala de aula e que, por sua vez, vem das práticas comportamentais dentro das suas próprias famílias.
Estes meninos e estas meninas, se calhar, não têm vaga nos colégios financiados pelo Estado, os seus atributos não serão os melhores para o Escola entrar nos rankings, para o “bom nome” da Escola.
A maneira como podem viver, numa sociedade democrática, as escolas públicas e privadas não está no financiamento, na formação de mercados de escolas, mas sim na ideologia que as cria.
Queremos escolas de elites para perpetuar o determinismo social, ou queremos uma escola onde todos têm o mesmo acesso às aprendizagens e ao sucesso pessoal e académico?
Não ocupo espaço para dizer que a maior parte das nossas escolas têm bons professores, bons alunos, bons auxiliares de acção educativa, mas sim para dizer que não há recursos humanos para conter a indisciplina, por vezes tão fácil de apaziguar, estivesse lá a pessoa certa; para dizer que os bons professores se sentem frustrados porque com excesso de alunos dentro das salas de aula não podem dar atenção, acompanhar, conversar com os alunos que fervilham de curiosidade, mas ao mesmo tempo fervilham também uma vida familiar e social que silenciam…porque complicada; as auxiliares de acção educativa sentem-se impotentes para resolver alguns problemas, porque são poucas para tantos alunos que requerem constantemente a sua atenção.
A Escola Privada tem problemas com os alunos, pois bem, não tem mais vaga, tem problemas com os encarregados de educação, pois bem não tem mais vaga, os alunos não estão a contribuir para que a Escola ocupe um bom lugar no ranking das escolas, pois bem é melhor mudar para outra escola.
O mercado da Educação precisa de dinheiros públicos, pois bem, arranjem outra solução que não seja a de os pais pagarem com os seus impostos a Escola Pública e a Escola Privada.
As Escolas privadas recebem muita verba por cada turma, por isso têm turmas com menos alunos, contratam muitos professores que, em último caso, poderão ser colocados no Ensino Público (ou não, pois são milhares os professores da Escola Pública que estão no desemprego).
A liberdade de escolha das escolas pelos os encarregados de educação é directamente proporcional aos seus rendimentos e ideologia.
No meio de toda esta polémica fica no esquecimento que a Educação é relação, é afecto, é partilha, é liberdade e equidade.