Faz hoje dois anos que morreu o Sílvio Castro. Procuramos nesta edição recordar o professor, o escritor, o homem de ciência que no Brasil, Itália e Portugal deixou traços bem vincados da sua enorme competência e do seu inigualável saber. Não há palavras que cheguem para recordar o amigo, o companheiro, cuja presença, mesmo para quem não tinha contactos regulares com ele, constituía sempre um momento de satisfação e bem-estar. A enorme compreensão que mostrava nos assuntos profissionais, a par com as grandes segurança e firmeza que punha no que fazia, saltava de imediato à vista. Sentíamos rapidamente que resultava da sua maneira intrínseca de ser, e acabávamos por perceber como o Sílvio Castro podia andar pelos mundos, e pôr-nos em comunicação uns com os outros.
Incluímos nesta homenagem muito simples, para além do Cantar de Amigo que Carlos Loures compôs em sua memória, e do artigo de Jorge Amado, originalmente publicado no Jornal de Comércio do Rio de Janeiro, sobre o romance do nosso querido amigo Memorial do Paraíso, alguns (pouquíssimos!) exemplos da sua vasta obra, seleccionados com o apoio dos argonautas Professores Manuel Simões e Simonetta Masin. À Anna Rosa Scrittori, viúva do Sílvio Castro, ao irmão Ariel Castro, aos sobrinhos e a toda a família, apresentamos os nossos cumprimentos, e pedimos que compreendam a singeleza desta edição.